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Silvio Santos faz o jogo conservador do seu patrão, Bolsonaro, subjuga funcionários e mexe na programação

No manda quem pode, obedece quem tem juízo, Silvio Santos topa tudo pela concessão do SBT

Depois de uma longa queda de braço, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enfim venceu a batalha contra o agora ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o demitiu. Na última semana, Mandetta já havia ficado por um fio, mas foi salvo pelo núcleo duro militar do governo.

O que mais chamou a atenção, contudo, nesse fim de novela foi a nota do Radar, da Revista Veja, assinada por Robson Bonin, apontando que a nomeação de Nelson Teich já estava bastante encaminhada, quando o empresário e dono do SBT Silvio Santos, intercedeu ao presidente pela nomeação do diretor do Conselho do Hospital Albert Einstein Claudio Lottenberg para o cargo.

Como resposta, a assessoria de Silvio informou que: “Silvio Santos não se mete em questões políticas e nem falaria com o presidente Jair Bolsonaro sobre qualquer atitude determinada por ele. ‘A minha concessão de televisão pertence ao Governo Federal e eu jamais me colocaria contra qualquer decisão do meu ‘patrão’ que é o dono da minha concessão. Nunca acreditei que um empregado ficasse contra o dono, ou ele aceita a opinião do chefe, ou então arranja outro emprego’”.

Silvio perdeu a parada e Bolsonaro indicou mesmo Teich. Mas, minutos depois, lá estava o SBT interrompendo a sua programação para uma exclusiva com o novo ministro e o presidente. De acordo com a medição do Ibope, a emissora caiu pra 4˚ lugar no horário em que a entrevista ficou no ar.

“Jornalista não deve ser investigador”


Para entender um pouco essa postura do empresário, é bom lembrarmos um pouco do passado dele e de como ele conseguiu a concessão de sua rede de televisão. Maurício Stycer, em seu livro Topa tudo por dinheiro (Ed. Todavia), nos ajuda a entender que o Sistema Brasileiro de Televisão nasceu para ser alinhado com o governo. Qualquer que seja ele. 

Durante a ditadura militar, foi apresentado um programa chamado “A semana do presidente” em que o lendário locutor Lombardi narrava os acontecimentos da vida do presidente naquela semana. Em uma das edições o programa conta a viagem do então presidente João Batista Figueiredo ao Peru quando ele foi presenteado com “dois excelentes cavalos”. O programa saiu do ar no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, mas recentemente Silvio teria ordenado que o programa voltasse à grade. A ideia, felizmente, não foi pra frente.

A fidelidade ao patrão é uma posição antiga de Silvio Santos também na relação com seus subordinados. Ele expressa com alguma frequência que seus colaboradores devem seguir a subserviência que agora ele expõe na relação a Bolsonaro. Em 1988, assim se pronunciou o dono do SBT sobre seus jornalistas:

“Jornalista que quiser trabalhar comigo não vai ser investigador, detetive. Quem tem que investigar é a polícia. Jornalista que trabalhar comigo, aprendeu na faculdade a ser idealista, aprendeu na faculdade a escrever o que deseja, vai escrever, compra uma estação de televisão, compra um jornal. Na minha, não. Na minha, vai dar a notícia. Só. E, na minha estação de televisão, enquanto eu viver, vai procurar no ser humano a qualidade do ser humano”.

Mais recentemente, Silvio Santos teria se irritado com críticas que a apresentadora Rachel Sheherazade fez ao Governo Federal. Vale destacar que, na época da contratação da jornalista, os comentários de cunho conservador realizados por ela não incomodavam o presidente. Parece não incomodar o dono do SBT alguém relativizar que um menor seja acorrentado em um poste por justiceiros.

Vale, por fim, lembrar ainda que está nas mãos do dono do SBT a demissão do jornalista Marcão do Povo, que defendeu que sejam criados campos de concentração na pandemia para não criar problemas para a economia. Apesar do posicionamento de jornalistas da emissora pela saída do apresentador, nada foi definido. Se for para agradar ao ‘patrão de Silvio’, a permanência deve falar mais forte.

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