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Ryan Murphy faz de ‘Hollywood’ sua melhor série sobre minorias desde ‘Glee’

Série lançada no dia 1º de maio pela Netflix recria a Hollywood do fim da década de 1940

Parte do elenco de 'Hollywood' em uma cena da série (Foto: Netflix)

Uma série que apresenta personagens pertencentes a minorias em busca de um sonho. Poderia ser Glee, American Crime Story – Versace, Pose, The Politician e Hollywood. Ponto comum entre essas séries? Todas levam a assinatura de Ryan Murphy, um dos principais roteiristas e produtores da TV dos Estados Unidos.

Entretanto, desde Glee – pelo menos na sua primeira temporada -, esse tema não era tratado de forma tão competente quanto em Hollywood, série lançada na Netflix no último dia 1º (não que as outras sejam ruins!). Resultado da parceria entre a empresa de streaming e Murphy, signatários de um contrato no valor de US$ 300 milhões, o mais alto da história da TV americana.

Na sua mais nova história, Murphy aposta na mistura de histórias reais e ficcionais para contar a busca de um elenco repleto de minorias – negros, mulheres, gays e asiáticos – por um espaço na Hollywood do final dos anos 40. O showrunner produz, dirige alguns episódios e escreve o roteiro de Hollywood ao lado de Ian Brennan (seu parceiro em Glee). Os dois garantem um texto que conta com atuações inspiradas de atores e atrizes novatas e veteranas.

A partir daqui, há spoilers…

Apelo à metalinguagem

A série investe muito na metalinguagem. A audiência acompanha a discussão sobre a escalação do elenco, os desafios da produção, os arroubos do dono do estúdio cinematográfico – Ace Pictures -, Ace Amberg (interpretado por Rob Reiner), e os detalhes em relação à montagem, roteiro e censura. Há ainda os assédios cometidos por agentes.

Na série, cabe ao personagem Henry Wilson, interpretado por Jim Parsons (conhecido pelo Sheldon de Big Bang Theory), mostrar como podem ser abusivas as relações entre agentes e atores agenciados. Tanto Henry Wilson quanto um dos seus agenciados, Rock Hudson, interpretado por Jack Picking, são livres inspirações de homônimos da Hollywood do final da década de 1940.

Os abusos e relação com a máfia do Wilson real são mostrados na série. Assim como a homossexualidade de Hudson que, diferentemente do que é contado pela narrativa ficcional, só a assume na década de 1980, após revelar ser portador do vírus HIV.

Utopia de Murphy

A partir dessa diferença, Murphy investe na construção de sua utopia sobre o passado (ou seria sobre o futuro?). Se Hudson só assumiu ser gay nos anos 1980, na série, ele entra na cerimônia do Oscar de 1948 de mãos dadas com seu namorado na ficção, o roteirista do filme Meg – que só existe na Hollywood da Netflix -, Archie Coleman, interpretado por Jeremy Pope.

Essa cerimônia do Oscar ficcional é o ápice da utopia de Murphy. Na ficção, o filme Meg, que tem como protagonista a atriz negra Camille Washington (papel de Laura Harrier), é premiado como melhor daquele ano. Camille ganha o Oscar de melhor atriz principal, sendo a primeira negra premiada (isso só veio acontecer com Halle Berry em 2002, única até hoje).

Anna May Wong, interpretada por Michelle Krusiec, leva a estatueta de melhor atriz coadjuvante, sendo a primeira de origem asiática. Archie, negro e gay, vence como melhor roteirista. E o diretor Raymond Ansley, de origem filipina, interpretado por Darren Criss, ganha como melhor diretor.

Dessa maneira, a série antecipa na ficção vitórias que só aconteceram no Oscar em décadas posteriores àquele fictício ano de 1948. Nessa experiência utópica, Hollywood aponta para uma premiação que celebra a diversidade de forma mais ousada que qualquer edição do Oscar já realizada, fora da ficção, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Em Hollywood, os personagens discutem qual destino dariam para Meg, personagem principal do filme produzido na ficção, e que mensagem eles queriam passar para o público. Já a série, em seu exercício metalinguístico utópico, investe na mensagem de que passou da hora da indústria cinematográfica ser mais aberta às minorias, garantindo a elas não apenas representação mas presença em distintos espaços da produção audiovisual.

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