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‘Rá-Tim-Bum’ faz 30 anos e deixa eterno vazio no entretenimento inocente

Pai do ‘Castelo Rá-Tim-Bum’ e precursor dos programas televisivos que falariam às crianças sem precisar ser um desenho animado, o saudoso programa que a TV Cultura lançou em 5 de fevereiro de 1990 chega à terceira década em meio à programação que abandonou esse estilo inocente, leve, amigo e professoral que tanto sucesso fez ao longo de 192 episódios que se reverberariam em reprises e mais reprises por muitos anos.

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Criado por Flávio de Souza e Fernando Meirelles, a atração tinha o intuito claro e nítido de levar à nossa sala informação, aprendizado e descobertas, mas de forma divertida, sem se permitir a chatice de um professor. De não parecer como uma escola ou sala de aula que, querendo ou não, já havia preenchido boa parte do dia daquele potencial espectador. Era preciso ser lúdico, mas brincalhão. Até no cenário que parecia uma casa bagunçada e colorida.

Dizer pro pessoal de casa sobre como alguma coisa é feita com o saudoso ‘Como se Faz?’ era a forma de desvendar as dúvidas de pais e filhos sobre coisas do dia a dia. Um chocolate, como surge? Eles mostravam. Humanizavam processos que tem cara e jeito de vida adulta, mas que não existem sem o consumo do infantil. E quem aí não parou para ver com enoooorme atenção o ‘Senta que lá vem a história!’?

O ‘Rá-Tim-Bum’ é o espaço vazio do entretenimento antecipado que se faz dominante. O YouTube gera conteúdo pro jovem, mas incorre no risco de falar com óticas um pouco mais distorcidas do que um programa que se submetida aos padrões de uma diretora de pedagogia dos anos 90. A televisão aberta, por sua vez, ignora até os desenhos animados. Mostra, em tempo real, a vida em sua pior -ainda que mais verdadeira- forma.

A mãe desse cronista conta que os VTs abobalhados e divertidos que o ‘Rá-Tim-Bum’ levava ao ar fizeram com que esse que vos escreve parasse de ter medo de tomar banho. De certo momento em diante, passou até a cantarolar as músicas que o programa usava como trilha sonora. Esse processo de incentivo e desmistificação foi substituído, hoje, por médicos que explicam os malefícios de não tomar o banho da forma correta. Outros métodos de educar. Frio. Falo, então, por experiência: era mais fácil através dos porquinhos.

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A inocência da televisão se extinguiu quase que por completo, para ser eufemista. O ‘Rá-Tim-Bum’ e seu conseguinte Castelo deixam saudades. De eficiência natural e encantadora, as obras não viram sucessores surgindo no mesmo espaço e com a mesma explosão. Sorte dos que viram e sorte dos que ainda poderão ver pelas fitas e gravações empoeiradas. Foi uma grande época.

“É pique, é pique
É pique, é pique, é pique
É hora, é hora
É hora, é hora, é hora
Ra-tim-bum!”

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