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Ivy sorri como líder no BBB e nossa impotência é exposta

A sexta-feira (10) de Big Brother Brasil foi um exemplo bom para quem quiser entender como o Brasil funciona contra o racismo

Sexta-feira (10) de Big Brother Brasil. Ivy, líder, fez todo um discurso sobre como, após votar seis vezes em Babu, não iria votar nele. Votou em Thelma, uma das duas mulheres negras no programa. A colocou no paredão.

Depois nos votos da casa, precisou desempatar entre os mais votados depois de Flayslane (também negra): Manu, Rafa, Gizelly e Babu. O discurso de cinco minutos antes se tornou lixo, foi descartado rapidamente: Babu foi ao paredão.

Três negros, dois indicados pela pessoa que mais exala racismo, externa racismo, finge que racismo não existe. Fala barbaridades constantes. Ataca. E, confrontada, ou quase isso, dentro do que o programa permite, nega, discorda, se finge de desentendida.

Fim de votação. Festa. Babu chora. Flay some das câmeras. Thelma segura as lágrimas entre as amigas, mas não esconde a preocupação.

Ivy é a única a subir no palco em frente ao telão em que Ivete Sangalo canta. Dança. Festeja. Sorri. Qualquer pessoa que acompanha o programa e entende o que essa pessoa representa se sentiu de uma única maneira.

Impotente.

Porque, dentro da bolha do programa de TV, talvez seja impossível uma representação do que é o Brasil maior do que essa: a racista como a única sorridente em uma festa com três negros lutando pela sobrevivência no jogo.

Eu sou branco e eu sei que pode não ser meu lugar de fala. Mas eu acredito que eu faça o que possa para me posicionar do lado certo dessa história. E por isso me senti impotente. E só pude imaginar o quão os negros acompanhando o programa se sentiram assim. Sabe-se lá quantas vezes mais impotentes. Lembrando das tantas quantas vezes passaram e passam por isso.

E a Ivy lá, sorrindo.

Ela não vai vencer o programa, é claro. Mas vai conquistar muitas oportunidades aqui fora. Ela sabe disso. Ela falou isso, abertamente, nesta última semana. Porque ela sabe que é branca – e, como modelo, está com a vida ganha. Enquanto isso, dizia abertamente, também, acreditar que Babu, talentosíssimo, não iria ter tanta chance nova aqui fora.

Por que será que ela pensa isso, não é mesmo?

Lembrei da namorada de um amigo meu, no meu aniversário há dois anos, me dizendo que acreditava que eu me posicionava do jeito certo na questão do racismo, mas que eu nunca entenderia a briga dela. Eu tentei me explicar, bêbado – afinal, era meu aniversário -, mas não consegui. Falei que me sentia incapaz. E ela jogou na minha cara que incapaz ela que se sentia, pois a briga era muito maior.

E é verdade. Não que a rua não nos mostre isso todo dia. Mas para quem fecha os olhos, a TV mostrou hoje, mesmo que tenha sido travestido de entretenimento.

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