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Guerra de liminares e Ratinho comentarista: Paulo Andrade lembra Paulistão no SBT: “Era muito louco”

Ainda muito jovem, de 23 para 24 anos, Paulo Andrade recebeu uma grande chance: ser narrador na segunda maior emissora do Brasil. O jornalista viveu uma prova de fogo em meio a um dos momentos mais inusitados da imprensa esportiva nos últimos tempos: a guerra de liminares entre SBT e Globo pelos direitos de transmissão do Paulistão de 2003

Paulo Andrade passou por muitos perrengues ao longo de uma vitoriosa carreira como narrador antes de ser consagrado como um dos melhores profissionais do ramo na imprensa esportiva brasileira. Hoje principal voz da ESPN em campeonatos de alto nível, como a Premier League inglesa, o jornalista recebeu uma grande missão em 2003: narrar o Campeonato Paulista pelo SBT, a segunda maior emissora do país. “Foi muito louco e exótico”, lembrou Paulo na nona edição do talk-show FALA Y FALA, produzido pelo GRANDE PRÊMIO, site parceiro do Ultra POP.

De tempos em tempos, Silvio Santos encasquetava com a ideia de transmitir algum grande evento esportivo. Em 1995, por exemplo, comprou os direitos de transmissão da Copa do Brasil e garantiu recordes de audiência com a final entre Corinthians x Grêmio. Naquele mesmo ano, levou para o SBT as corridas da Indy e marcou época no automobilismo. No fim de 2002, Senor Abravanel empreendeu uma nova empreitada esportiva e travou uma histórica queda de braço contra a Rede Globo. Tudo pelos direitos do Paulistão de 2003.

A Federação Paulista de Futebol, então presidida por Eduardo José Farah, propôs que a Rede Globo pagasse R$ 12 milhões por 12 jogos do campeonato. A proposta foi recusada porque a emissora julgou que o pacote em si era muito caro. Farah, então, colocou o canal contra a parede depois de ser convencido por Silvio Santos a vender os direitos do Paulistão pelos mesmos R$ 12 milhões, mas com 22 partidas ao invés de 12 no pacote. Com a condição de que os jogos fossem exclusivos do SBT. E assim foi feito.

Foi então que começou uma grande batalha judicial. A Globo acionou a Federação Paulista para tentar impedir que a rival de Osasco transmitisse o campeonato. Ainda no mês de dezembro, o canal igualou a proposta feita pelo SBT na data-limite por meio de um fax enviado à Federação. Contudo, protocolou o documento original em 2 de janeiro, seis dias depois do prazo. Por isso, a proposta não foi considerada oficial por Farah.

Assista abaixo ao comentário de Paulo Andrade no FALA Y FALA.

Foi em meio a todo esse clima, de total indefinição, que Paulo Andrade se preparava para narrar o Paulistão daquele ano. “Foi a minha primeira grande prova de fogo na carreira. Tinha de 23 para 24 anos, na segunda maior emissora do país, tinha a Federação Paulista ao lado, mas [o SBT] estava brigando com a Rede Globo e a Record, que passou a transmitir os jogos também. Era muito louco”, recordou o narrador.

Na partida que abriu o Paulistão 2003, Santo André x Santos, a Globo ignorou a decisão do Tribunal de Justiça, favorável ao SBT e à Federação Paulista, e colocou a partida no ar. Mas a partir do segundo jogo, a entidade conseguiu retomar a exclusividade ao canal de Silvio Santos e impediu a ação do pool formado por Globo e Record para a transmissão do campeonato. Mas a emissora carioca não se deu por vencida e travou uma memorável batalha judicial.

Andrade lembra que viveu momentos de tensão no estádio Bruno José Daniel, em Santo André. “No primeiro jogo que fiz, primeiro jogo do campeonato, Santos x Santo André, lembro que estava na cabine, o SBT providenciou seguranças, como se a gente pudesse ser agredido, e aí senti atrás de mim um corre-corre, e percebi que era um corre-corre de pessoas fardadas, de policiais. Depois, fiquei sabendo que a Globo não tinha o direito da transmissão daquele jogo, a Federação não tinha dado, mas a Globo botou o jogo no ar na marra”, disse.

“Eles trancaram uma câmera deles numa das cabines, com cadeado, contrataram seguranças particulares. A polícia tentou invadir a cabine, sob ordem da Federação, porque eles não podiam colocar o jogo no ar. E colocaram o jogo no ar na marra. E eu com 23 anos narrando um jogo para sei lá quantas milhões de pessoas. Foi bastante exótico”, descreveu.

Porém, mais exótico e lisérgico ainda foi quando Paulo teve como parceiro de transmissão um certo Carlos Massa, o Ratinho, que foi improvisado como comentarista. A partida era entre Corinthians x Portuguesa, que foi ao ar depois que outro jogo, Ponte Preta x Palmeiras, foi cancelada pela Federação, que alegou que o gramado do estádio Moisés Lucarelli estava impraticável por conta da chuva. Na verdade, foi mais uma manobra para impedir a Globo de exibir a partida.

No fim das contas, depois de tanta briga e inúmeras liminares, SBT e Globo transmitiram o campeonato. No mesmo ano, pouco depois, Paulo Andrade foi chamado por José Trajano para integrar a equipe da ESPN, onde está até hoje. E o SBT decidiu, novamente, deixar de lado as transmissões esportivas, dando novamente protagonismo à Globo (com a Record exibindo as mesmas partidas que iam ao ar no canal carioca.

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