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Dobradinha com redes sociais e ato falho marcam estreia da CNN Brasil

Por Bruno Pavan e João Gabriel Falcade

A filial brasileira da CNN estreou neste domingo (15) no Brasil. Em um final de semana em que a pandemia do Covid-19 esvaziou estádios e o protesto a favor do governo Jair Bolsonaro (sem partido), a emissora usou uma dobradinha de TV e Internet para enfrentar 14 jornalistas ao vivo na Globo News no começo da noite.

Durante todo o domingo as redes sociais da emissora veicularam chamadas para a estreia tanto do portal, que foi ao ar às 18h, quanto do canal de TV, duas horas depois.

A primeira postagem do site foi uma matéria que ouviu representantes do executivo, legislativo e do judiciário sobre a situação política do país. A pandemia do Covid-19 afetou o conteúdo do canal já na última quinta-feira (12), pois a entrevista do presidente Jair Bolsonaro foi cancelada quando ainda havia a suspeita de ele poderia estar com a doença, negada na sexta-feira (13). A emissora, porém, realizou uma entrevista ao vivo com o presidente na noite deste domingo.

Para explicar sobre seu funcionamento, a CNN Brasil reproduziu um VT com a construção das 3 sedes nacionais, em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, mostrou também alguns números sobre equipe, instrumentos, investimentos e estrutura física. De forma geral, a grandiosidade das instalações impressionam.

Uma imensa reportagem trouxe os detalhes da festa de lançamento do canal. Em meio ao Coronavírus, as imagens mostraram 1300 pessoas aproveitando a confraternização. Não pareceu coerente. Por fim, as participações e discursos de membros do governo na festa suscitam a discussão sobre como a empresa tratará das questões do poder público. Tendo por base a festa, não será tão equidistante.

Uma TV alinhada com o governo?

Desde o seu anúncio, em janeiro de 2019, a linha ideológica da nova emissora foi colocada em xeque. 

O SEO da nova emissora, Douglas Tavolaro, passou anos no comando do jornalismo da Record TV e foi o biógrafo oficial do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Já Rubens Merlin, dono da construtora MRV também proprietário da nova emissora, é aliado do presidente e chegou a declarar logo após a eleição de Jair Bolsonaro de que o empresariado brasileiro estava “eufórico com o futuro”. 

“Uma parte da sociedade tem preconceito com militares. Mas olha a equipe de militares que está no governo: são pessoas treinadas, acostumadas ao comando, éticas e que gostam do Brasil”, disse. 

Além disso, a falta de negros e negras na programação e a contratação de figuras como Caio Copolla alimentou as suspeitas de que a filial brasileira da CNN poderia fazer um jornalismo mais alinhado com o governo conservador brasileiro. 

Porém, uma das primeiras postagens do portal foi uma dura crítica do jornalista Fernando Molica a abordagem do presidente na pandemia do Covid-19. 

“A exemplo do vírus, o desemprego, o pibinho e o aumento do dólar e da pobreza não são fantasia ou fruto de uma conspiração de jornalistas. Ignorar tantos problemas não faz com que deixem de existir. É melhor encará-los do que achar que o jogo está ganho e, depois,  tomar uma bola entre as pernas e levar um gol de contra-ataque”, criticou o texto. 

Entrevistas foram ao ar em primeira-mão nas redes

Antes mesmo da estreia na TV à cabo, a CNN Brasil publicou em suas redes sociais entrevistas com o presidente do Senado David Alcolumbre (DEM), o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM), o presidente do Supremo Tribunal Federal Antonio Dias Toffoli e com o ministro da economia Paulo Guedes sobre a crise entre os poderes.    

A primeira publicada, porém, foi com o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que deu sua primeira entrevista após ter sido afastado da confederação e ter se envolvido no escândalo da compra de votos para a Copa do Qatar. Ano passado ele foi afastado permanentemente do futebol. 

Acompanhado do ex-assessor de imprensa da CBF Rodrigo Paiva, o ex-mandatário se mostrou incomodado por algumas perguntas feitas por Monalisa Perrone. A edição, acertadamente, mostrou o embate entre a jornalista e Teixeira. Apesar disso, a conversa acabou sendo morna. Em dado momento ele diz que é mentira que ele chamava o ex-presidente do Barcelona Sandro Rossell de “Sandrito” e sim de “Sandrinho”. 

Primeira hora

Os primeiros minutos da rede de notícias no Brasil foram uma viagem pela história do mundo e da própria empresa. Em um VT, o microfone de canopla vermelha foi encaixotado pelo âncora americano e enviado ao Brasil. Dos estúdios de São Paulo, Evaristo Costa e Monaliza Perrone, os nomes mais famosos da emissora, abriram a caixa e mostraram o microfone em sinal de abertura dos trabalhos. O ato falho, no entanto, foi que a grafia de Brasil, escrito na espuma do instrumento, não continha a letra B. Ficou um esquisito RASIL.

Quem abriu a programação ao vivo da empresa foram Monaliza e Reinaldo Gottino, sentados, com auxílio do teleprompter. De maneira engessada, eles convocaram repórteres espalhadas pelo Brasil e pelo mundo para comentários ao vivo, ainda que rápidos, abordando o Coronavírus. Como complemento, chamaram uma reportagem interessante sobre o funcionamento de um hospital paulista e também trouxeram uma grande reportagem.

E foi ela a primeira grande demonstração de qualidade editorial da empresa. Em pouco mais de dez minutos, a reportagem esteve no cerne italiano da pandemia, a cidade de Codogna. Entrevistas com locais, captações do estado caótico do país e uma riqueza de detalhes bem relevante. Ao contrário de uma ligação por Skype pré gravada com um brasileiro infectado, momento pouco orgânico e muito confuso.

A primeira impressão, a primeira hora, é de uma empresa com condições de fazer jornalismo com muito poder, com dinheiro, equipe, estrutura e bons profissionais, mas com tudo ainda levemente confuso, em adaptação à televisão brasileira e dm sintonia com a cultura editorial da CNN matriz. O tempo pode ajustar as questões.

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