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Aos haters e à campeã, Thelma Assis

A Copa do Mundo da Pandemia terminou. Num BBB20 que ofereceu a miríade de histórias e gostos, num microcosmo da nossa sociedade, venceu quem deveria

Thelma Assis é a campeã do BBB20 (Foto: Reprodução/Globo)

O BBB20 foi a redenção de quem sempre amou enxergar um reality que o mundo só queria ver. Foi a redenção de quem usava a antropologia, a sociologia da convivência, as questões do coração e da alma para entender as histórias, as vidas, as dificuldades, os sofrimentos e as jornadas e que se se negava a concordar que tudo não passava de alienação.

O olhar alienado é preguiçoso, é raso, é pobre. É a crítica pela crítica de quem nunca se dispôs a viver a vida de alguém. A se doer pelas dores, a se emocionar pelas emoções de um desconhecido – ou nem tanto. As pessoas abrem mão de sua privacidade, de sua narrativa, do controle de sua vida. Entregam-se ao incerto. A você, a cada um de nós.

Nunca foi alienação ou entretimento besta, foi só falta de entrega. De emprestar o coração para as histórias que aconteciam logo ali, na televisão. Um grupo de gente absolutamente diferente que é forçada a viver em sociedade sem qualquer tipo de entretenimento. Com acontecimentos que propõe apenas a discórdia. Não há desafio tão complexo do que esse em qualquer outra jornada de exposição por grana. É muito foda.

O desafio que fala sobre verdades. Que faz o Brasil, e o mundo, numa versão de laboratório. E que felicidade desta edição de reunir tanta autoridade e vivência em tantos assuntos tão difíceis. Tão NECESSÁRIOS. O BBB se tornou um grande moldador de caráter para um país que perdeu seus caminhos mais simples. A homofobia, o feminismo, a gordofobia, as diferenças sociais e, de sobremaneira, o racismo.

Na disputa dos anônimos contra os fã-clubes, os fandoms, as redes sociais e os superfãs, a causa da luta de séculos por espaço de fala, venceu. O carinho popular por Babu e a vitória de Thelma. O homem que ganhou um país inteiro por ser quem é, e a mulher escolhida para carregar em seu nome a história do maior reality show da história. E Thelma não venceu por solidariedade.

Venceu por ser tudo o que o BBB sempre foi, mas que o mundo não quis ver. Venceu por ser excessivamente verdade, garra, luta, força. Venceu por contrariar estatísticas desde que veio ao mundo. Tornou-se médica sem poder pagar. Tornou-se finalista sem ter milhões de seguidores. Tornou-se campeã por ser uma mulher preta, e outrora pobre, no país do preconceito.

Não sei mais até quando insistirão em questionar o BBB, mas a vigésima edição deixa claro e límpido que o programa é microcosmos de nós. Da nossa vivência. E, que honra, escrever essa carta tendo a melhor campeã para a melhor edição do melhor programa que vocês nunca foram capazes de enxergar até que chegasse 2020.

De um fã honrado e feliz por ter vivido o BBB20.

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