Siga-nos

Sociedade

O Brasil precisa dar errado urgentemente

Livro de Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino mostra que só temos uma saída: o reencantamento com o Brasil

Em um momento de pandemia e horror com o governo que vivemos, a dupla Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino nos presenteou com o e-book Encantamento: sobre política da vida (Mórula Editorial). A obra está disponível gratuitamente em todas as lojas virtuais.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi aos EUA em março de 2019, poucos meses depois de sua posse. Em discurso com lideranças conservadoras, ele disse que “o Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa”.

A obra de Simas e Rufino vai no sentido contrário da frase do presidente. O Brasil precisa, sim, ser desfeito. Mas pelas mãos e vidas que o presidente e sua política insistem em sufocar, torturar e matar há mais de 500 anos.  

“O Brasil como estado colonial, foi projetado pelos homens do poder parar ser excludente, racista, machista, homofóbico, concentrador de renda, inimigo da educação, violento, assassino de sua gente, intolerante, boçal, misógino, castrador, faminto e grosseiro. Somos em parte isso tudo, não? Neste sentido, desconfiamos que nosso problema não é ter dado errado. O Brasil como projeto, até agora, deu certo”, dizem Simas e Rufino.

Muito disso acontece pelo anseio ocidental do Brasil de bem, que sonha em ser Estados Unidos, que massacra seus trabalhadores e trabalhadoras por um pouquinho de dinheiro do primeiro mundo. Nem sul-americanos nos consideramos. Boa parte dos nossos cidadãos de bem, assim como nos mostrou o filme Bacurau, acham que estão mais próximos do Europeus e estadunidenses do que dos africanos.

Os autores também falam sobre o perigo que os corpos livres representam nesse país que deu certo. O corpo que sai pra festejar no carnaval é libertino, anárquico, sujo, ruim, pecaminoso. Mas os corpos precisam sair para trabalhar, senão quem é que vai sustentar esse projeto de país? “O trabalho liberta”, era o que estava escrito na porta do campo de concentração de Auschwitz.

Por fim, a obra é uma defesa do reencantamento do Brasil. “Cabe entender encantamento como ato de desobediência, transgressão, invenção e reconexão: afirmação da vida, em suma”.

A obra é um sopro de vida que tenta afastar de nós esse cheiro pútrido de merda com naftalina. Ao final você levanta a cabeça e, triunfante, enche o peito para dizer: esse país pode, sim, dar errado.  

Assine nossa newsletter

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Publicidade
Trending Now
Publicidade

Relacionados

“O Brasil é um empreendimento de ódio”, diz Luiz Antonio Simas

Política

Publicidade
Assine nossa newsletter

Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Connect
Assine nossa newsletter