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“A parte humana precisa falar mais alto”: Salgadinho e a defesa da vida em dias sombrios

Ícone do pagode, Salgadinho também se notabiliza por ser um dos poucos artistas do meio do samba a se posicionar frontalmente contra a guinada obscurantista que tomou conta do Brasil

Assista abaixo ao comentário de Salgadinho no FALA Y FALA.

Com 50 anos de vida e 30 de carreira, Paulo Alexandre Nogueira Salgado Martins, eternizado como Salgadinho, é uma das poucas vozes do mundo do samba a tomar partido e se posicionar diante dos dias sombrios vividos pelo Brasil nos últimos tempos.

Ícone do pagode noventista e lembrado sempre nesta época de lives musicais, o cantor e compositor teve sua rotina de cerca de 20 shows por mês interrompida em razão da pandemia do novo coronavírus. Neste período, o artista revelou estar cuidando da saúde e da mente, além de aproveitar o tempo livre para compor. Mas a preocupação com o povo, diante de notícias cada vez alarmantes sobre o número de infectados e de mortos em razão da Covid-19, também faz parte da sua rotina.

Homem da periferia e de origem na Zona Sul de São Paulo, Paulo Salgado conhece de perto as mazelas e necessidades de uma população esquecida pelos governantes. Sabe também que milhões vivem momentos de extrema incerteza e sofrem com a perda de emprego e renda. O artista tem consciência de que a pandemia coloca a sociedade de joelhos. Porém, lembra que a preservação da vida é fundamental.

“Vivemos em um mundo capitalista, mas acho que a parte humana precisa falar mais alto do que a parte dos números, sempre. Porque a vida não se repõe, a gente repõe os números, repõe a forma de fazer”, disse o cantor no FALA Y FALA, programa do GRANDE PRÊMIO — site parceiro do Ultra POP —, na última segunda-feira.

Salgadinho também falou sobre como é se posicionar politicamente no meio em que está inserido de forma mais presente: no samba.

“Há uns três, quatro anos, tinha muita discussão sobre política e percebia realmente uma ascensão mais pelo lado… como se fosse torcida de futebol. Não tenho como negar minhas origens, minha experiência de vida e minha parte humana. Nos dias atuais, as pessoas me ligam e perguntam alguma opinião sobre algo, em um grupo de amigos, e falo minha opinião”, explicou.

“Não que esteja diretamente ligada a quem você apoia ou não. Hoje está muito difícil de falar, como está difícil falar agora pra vocês, pois está tudo muito aflorado. Se você tem opinião X é porque apoia tal candidato, se tem opinião Y é porque apoia outro. Não, você tem sua experiência de vida”, ressaltou o artista.

“Hoje, no meio que eu convivo, não dá para falar de política. Dá para expressar minha solidariedade a quem vai sofrer mais, como tenho feito nas minhas redes. Dá para expressar a minha questão humana, expressar minha opinião em favor da ciência e não o que alguém quer que seja determinado. Mas é muito difícil porque a maioria das pessoas é muito jovem. Não posso forçar ninguém a ter uma opinião a partir da minha experiência”, complementou Salgadinho.

No fim do programa, o convidado especial do FALA Y FALA deu uma palhinha da música da sua vida. Aperte o play e relembre um dos grandes sucessos da carreira de Salgadinho.

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