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‘Disque Amiga para Matar’ cresce e estende tapete vermelho para protagonistas na 2ª temporada

A 2ª temporada de ‘Dead to Me – Disque Amiga para Matar’ manteve o que havia de melhor no ano passado e trouxe novas camadas para a história e suas protagonistas. Christina Applegate e Linda Cardellini estão cada vez melhores

Dead to Me (Foto: Reprodução/Netflix)

OK, você que está mais ligado na série com certeza sabe que o lançamento foi no mês passado, mas vamos falar, assim mesmo, da segunda temporada de ‘Dead to Me – Disque Amiga para Matar’, na Netflix. Como as duas protagonistas reagiriam ao final, digamos, matador da temporada inicial? Como Judy (Linda Cardellini) lidaria com o fato de que Jen (Christina Applegate) matou Steve (James Marsden)? Como seria a relação entre as duas nessa amizade desvairada marcada por mortes criminosas aqui e acolá?

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS

O que ficamos sabemos logo no início é que, apesar do histórico das duas, Jen resolve abrir uma nova linha de mentiras entre elas. Ao mesmo tempo em que acabou de cometer um assassinato e que o morto era o ex-noivo da amiga, a viúva mostra ainda seguir fazendo Judy pagar por atropelar o marido meses atrás. Ao mentir e dizer que matou Steve ao se defender de um ataque físico, mostra primeiro falta de coragem de admitir a extensão de gravidade do homicídio que acaba de cometer e, em segunda instância, deixa Judy miseravelmente culpada pelo fato de Steve ter ido à casa dos Harding para procurá-la.

E Judy, claro, ajuda a amiga no caminho da redenção própria que busca há tanto tempo.

Mas a culpa que Jen acaba por fazer Judy sentir – culpa simplesmente pelo fato de Steve tê-la ido procurar, bom frisar – é o ponto de partida de uma das facetas mais espinhosas desta segunda jornada. O espectador mais atento já havia sacado na primeira temporada que a relação absolutamente abusiva de Steve com Judy era algo bastante importante na dinâmica da história.

Agora, porém, a relação abusiva ganha os holofotes e um protagonismo interessante ainda que Steve esteja mortinho da silva. É só nesta segunda temporada, sem o personagem na história, que Judy consegue olhar para o desenrolar da relação de fora, pelas lentes dos outros, e começa a perceber, ainda que em estado análogo à negação, como fora maltratada pelo ex-parceiro durante tanto tempo, inclusive com Steve a obrigando a ignorar o atropelamento de Ted Harding, como mostrado no fim do ano anterior.

Duas cenas aqui são emblemáticas. Uma delas é na delegacia, quando a Detetiva Pérez exige que Judy mostre a caixa de mensagens de voz deixadas por Steve em seu telefone na noite que sumiu – a polícia está procurando por ele por conta da investigação de lavagem de dinheiro e associação ao crime organizado, denunciados pela própria Judy na temporada passada. As mensagens contém ofensas, ameaças e desculpas rápidas, tudo num ciclo vicioso. O tradicional morde-e-assopra abusivo. E Pérez, impressionada, pergunta se Judy precisa de proteção. Alguns episódios depois, na mesma delegacia, Nick – que está de volta às ruas – questiona como ela pôde ficar com alguém assim.

Judy, que inicialmente se esquiva da pergunta de Pérez, diz a Nick que também não tem ideia e está tentando entender. A Judy da primeira temporada jamais responderia assim.

O processo de Judy em entender o que acontecia com ela e aquela relação, porém, não impede que ela se enlute de maneira bem especial. A metade inicial da temporada mostra muito bem o período de luto, com as restrições sobre o que fazer com o corpo do ex-namorado e a reação posterior à negação do memorial. É uma temporada bem dividida entre o luto e o novo amor de Judy, Michelle, que vem a ser, incrivelmente, a ex-namorada e atual roomate de Pérez.

Um círculo tão improvável na história que podia facilmente fazer parte de ‘Amor de Mãe’ – inclusive estamos com saudades da novela.

O melhor de toda a trama envolvendo Judy? A mistura de leveza com consciência em total confusão entre peso, culpa e uma certa tranquilidade por saber que está sempre no olho do furacão por responder aos clamores desesperados daqueles que ama. Linda Cardellini está voando e ganha momentos múltiplos para brilhar, algo que faltou na primeira temporada. A Judy de Cardellini não é mais uma sidekick da Jen de Applegate. São duas protagonistas em méritos próprios.

O que não quer dizer que Applegate esteja menor neste segundo ato. É difícil falar em premiações sem acompanhar todas as possíveis indicadas, mas o que é possível dizer é isso: sem Julia Louis-Dreyfus e Phoebe Waller-Bridge na jogada, Applegate é fortíssima candidata a vencer o Emmy de Atriz/Comédia. Como Cardellini concorre na mesma categoria, em vez de como coadjuvante, é possível imaginar uma indicação dupla da série em 2020.

Dead to Me (Foto: Reprodução/Netflix)

Christina Applegate, melhor a cada ano, mantém toda a pegada que mostrara ano passado: a mulher irada com a vida, a viuvez e seus rumos, a comédia ácida de alguém que claramente não é feliz e que tampouco tem ideia como seguir em frente com os filhos. Além de tudo que já sabíamos, a personagem ganhou uma nova e complexa camada de sentimentos. Agora, Jen lida com a culpa pelo assassinato, por fazer Judy se sentir responsável e o medo de deixar os filhos sem mãe e pai caso seja presa. E ainda tem, no meio de tudo isso, de fazer o papel de mãe: Charlie, afinal, é mais adolescente do que nunca.

Há também uma nova modalidade para a personagem: a Jen apaixonada. Apaixonada, claro, por Ben Wood, o gêmeo de Steve: Ben é o yin do yang do irmão falecido e é outro ponto alto por manter um ótimo James Marsden na tela.

O casting é fantástico nas escalações de Natalie Morales como Michelle, novo interesse de Judy, e de Katey Sagal, que por dez anos interpretou a mãe de Applegate em ‘Married… with Children’, como a mãe de Judy. Sagal tem cenas somente com Cardellini – poucas, mas algumas das mais tensas da temporada e que mostram de onde vem o histórico de relações abusivas da personagem -, mas não deixa de ser divertido vê-la na mesma atração que Applegate.

Acima de tudo, a criadora Liz Feldman conseguiu manter o que há de melhor na série: a química entre Applegate e Cardellini tanto para os momentos hilários quanto para os que são de partir o coração. E, como representatividade importa, é bom também ver duas atrizes acima dos 40 anos recebendo protagonismo com personagens reais.

‘Dead to Me – Disque Amiga para Matar’ cresceu, ganhou novas camadas e abriu a porteira para que as excelentes protagonistas brilhem. Esperamos que haja uma terceira temporada e que a história, mesmo com os cruzamentos um tanto forçados, mas que funcionam, continuem. Vida longa à série e vida longa às protagonistas.

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