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`A Indústria da cura` é mais um entretenimento que os EUA dão pro mundo por conta da falta de SUS

Diversas obras também têm a falta da saúde pública como fio condutor

O crítico de cinema e piloto Julinho da Van resumiu o que seria uma obra cinematográfica de respeito em um episódio do Choque de Cultura: “carro, explosão e mulheril”.

Claro que Vin Diesel fazendo curvas de lado nas ruas de Tóquio e resolvendo problemas complexos simplesmente explodindo coisas tem o seu valor, mas existe uma outra característica presente em muitas séries e filmes estadunidenses que é o fio condutor de muitas obras: a falta de um sistema público e universal de saúde. 

Já são conhecidos os memes que se Breaking Bad fosse filmado no vizinho Canadá acabaria em questão de segundos. Walter White não precisaria se transformar em um traficante malvado e assassino, seu cunhado não precisaria levar um tiro, sua esposa não iria ter que se envolver num grandes esquema de lavagem de dinheiro pra livrar o marido. O tratamento começaria em questão de semanas. Até mesmo o nosso SUS, que está longe de ser perfeito, é muito mais do que o nada que existe no EUA.  

A Netflix lançou recentemente a série documental “A Indústria da cura”, que visa investigar e desnudar a cada episódio práticas alternativas à medicina tradicional que visa melhorar a vida e a saúde da população como jejum, sexo tântrico, ayahuasca e leite materno para adultos. Alguns de seus episódios simplesmente não existiriam se houvesse um sistema de saúde pública no país.    

O primeiro fala sobre os óleos essenciais seu consumo e comércio. A promessa é que eles podem ajudar em diversos pontos. O episódio mostra uma mãe que diz que a filha autista ficou muito mais calma e com um sono mais tranquilo após o tratamento com óleos. De fato não é de se duvidar que eles possam ajudar nessas questões.

O ponto mais complicado é que se criou uma indústria bilionária em cima disso e de que esses óleos podem curar até mesmo câncer. Um exemplo é a empresa Young Living, que além de vender cura vende também ascensão social com um esquema de representantes baseado numa pirâmide financeira e que já chegou ao Brasil. Basicamente se trata de uma junção entre saúde pautada pela lógica de mercado em conjunto com um mercado de trabalho precarizado.

A série é mais um exemplo de que o sonho americano pode ser mais complicado do que se parece. 

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