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Qual a diferença entre o vírus da gripe e o coronavírus?

Gripe sazonal já matou mais gente nos EUA neste inverno do que o coronavírus na China

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Vírus da gripe e coronavírus afetam o sistema respiratório e causam sintomas parecidos (Foto: Pixabay)

O surto de coronavírus na China é manchete em todo o mundo. Porém, a mídia está esquecendo de um problema que atinge o hemisfério norte durante o inverno: a gripe sazonal, causada por diversos vírus, incluindo o influenza.

Enquanto a nova cepa de coronavírus, chamada 2019-nCoV, afetou mais de 24 mil pessoas e causou 491 mortes na China, além de 200 infectados e duas mortes em outros países, a gripe sazonal, somente nos Estados Unidos, já deixou cerca de 19 milhões de americanos doentes, com 180 mil hospitalizações e 10 mil mortes na atual temporada. Os dados são do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA e divulgados pelo portal científico LiveScience.

A diferença entre as duas doenças é que os vírus causadores da gripe são estudados há anos e existem até vacinas que protegem contra certas cepas do patógeno. Pouco se sabe sobre o coronavírus 2019-nCoV, porque é muito novo.

“Apesar da morbidade e mortalidade da gripe, há uma certeza, por ser sazonal. Sabemos que, quando entrarmos em março e abril, os casos de gripe vão diminuir. Você pode prever com bastante precisão qual é o alcance da mortalidade e das hospitalizações dessa doença. Agora, o problema com o 2019-nCoV é que existem muitas incógnitas”, afirma o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, citado pelo LiveScience.

Sintomas e gravidade

Os vírus da gripe sazonal (que incluem as cepas influenza A e influenza B) e o 2019-nCoV são micro-organismos contagiosos que causam doenças respiratórias.

Os sintomas típicos da gripe incluem febre, tosse, dor de garganta, dores musculares e na cabeça, coriza ou nariz entupido, fadiga e, às vezes, vômitos e diarreia, de acordo com o CDC. Os sintomas da gripe geralmente aparecem de repente.

A maioria das pessoas que contrai gripe se recupera em menos de duas semanas. Mas em alguns casos, a doença pode causar complicações, incluindo pneumonia. Até o momento, na atual temporada de gripe sazonal, cerca de 1% das pessoas nos Estados Unidos desenvolveram sintomas graves o suficiente para serem hospitalizadas, o que é semelhante à taxa da temporada passada, segundo dados do CDC.

Já em relação ao 2019-nCoV, os médicos ainda estão tentando entender todos os sintomas e a gravidade da doença. Num estudo recente realizado com cerca de 100 pessoas afetadas pelo coronavírus, publicado no dia 30 de janeiro na revista científica The Lancet, os sintomas mais comuns são febre, tosse e falta de ar. Apenas em cerca de 5% dos casos os pacientes relataram dor de garganta e coriza. Ainda no estudo, apenas 1 a 2% relataram diarreia, náusea e vômito. Dos mais de 24 mil casos registrados na China até agora, cerca de 14% foram classificados como graves, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados na última terça, dia 4 de fevereiro.

É importante observar que, como os vírus que atacam o sistema respiratório causam sintomas semelhantes, pode ser difícil distinguir os patógenos com base apenas nos sintomas, de acordo com a OMS.

Índice de mortalidade

Até agora, nesta temporada de gripe sazonal, cerca de 0,05% das pessoas que pegaram a doença morreram pelo vírus nos EUA, de acordo com dados do CDC.

A taxa de mortalidade para o coronavírus ainda não está clara, mas parece ser maior do que a da gripe. Durante o surto, as mortes provocadas pelo 2019-nCoV chegam a cerca de 2% dos casos. Ainda assim, de acordo com Alex Azar, secretário do Departamento de Saúde e Segurança Interna dos EUA, citado pelo LiveScience, quando um novo surto aparece, os casos identificados costumam ser “exagerados”, o que pode fazer com que a taxa de mortalidade pareça mais alta do que é. Portanto, a tendência é que os dados caiam à medida que mais casos leves sejam identificados, completa Azar.

Transmissão do vírus

Cientistas usam o método chamado ‘número básico de reprodução’ ou R0 para determinar com que facilidade um vírus se espalha. Esta é uma estimativa do número médio de pessoas que contraem o micro-organismo de uma única pessoa infectada. A gripe tem um valor de R0 de cerca de 1,3, de acordo com o LiveScience.

Os pesquisadores ainda estão trabalhando para determinar o R0 do coronavírus. Mas uma pesquisa publicada no dia 29 de janeiro deste ano no periódico científico New England Journal of Medicine estimou que o R0 do 2019-nCoV está em 2,2, o que significa que cada infectado está espalhando o vírus para cerca de 2,2 pessoas.

É importante observar que o ‘número básico de reprodução’ não é necessariamente um número constante. As estimativas podem variar de acordo com o ambiente, dependendo de fatores como a frequência com que as pessoas entram em contato umas com as outras e os esforços para reduzir a propagação viral, informa o Live Science.

Risco de infecção

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos estima que, em média, cerca de 8% da população americana é afetada pela gripe a cada estação.

Atualmente, existem quase 25 mil casos de coronavírus no mundo, sendo a maioria na China e os demais em 27 países, incluindo 35 doentes no Japão; 28 em Cingapura; 25 na Tailândia; 19 na Coreia do Sul; 14 na Austrália; 12 na Malásia e na Alemanha; e 11 nos EUA.

Ainda assim, vírus novos como o 2019-nCoV são sempre preocupantes para a saúde pública, diz o CDC ao LiveScience.

Prevenção

Ao contrário da gripe sazonal, que possui vacina, não existe proteção imunológica para o coronavírus. A boa notícia é que pesquisadores dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA estão na fase inicial do desenvolvimento de um imunizante para o novo micro-organismo que assonmbra o mundo. De acordo com o portal científico, a estimativa é de que um ensaio clínico de fase 1 seja lançado em até três meses.

A recomendação da OMS para impedir a propagação de vírus respiratórios inclui:

  • Lavar sempre as mãos com água e sabão
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos sujas
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Não andar em locais públicos quando estiver doente
  • Tampar a boca ao tossir ou espirrar
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies frequentemente usados

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