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Saúde e Bem-Estar

“Estamos usando máscaras de poeira” e “vamos morrer”: a vida de desespero nos hospitais

Mensagens recebidas pelo Ultra POP denotam o medo dos profissionais de saúde na cidade de São Paulo — com o povo e com seus colegas

Profissionais denotam desespero à medida em que coronavírus avança (Foto: Divulgação)

Uma mensagem de áudio de uma funcionária de um dos maiores hospitais públicos de São Paulo, ao qual o Ultra POP teve acesso, relata a preocupação crescente dos profissionais da saúde com as consequências fatais do coronavírus no país.

A mensagem foi mandada logo após a uma reunião de emergência com a diretoria do hospital nesta sexta-feira (20).

A chefia foi taxativa: “Nós vamos morrer”. E o cenário que se desenha é “pior do que o da Itália”, agora o país em que mais pessoas morreram em virtude da contaminação pelo COVID-19.

A situação é descrita como “muito ruim” e que a previsão é de que “vai morrer muita gente, principalmente idosos” porque “o Brasil não tem estrutura pela forma como o vírus está se disseminando”.

Os profissionais do hospital estão cientes de que “haverá dias em que não vamos conseguir ir para casa” porque “não haverá pessoas suficientes para atender todo o pessoal”.

Apesar de, teoricamente, não estarem no grupo de risco, há um recado para os jovens e os adolescentes: evitar bares e baladas.

A recomendação que deve ser passada imediatamente para o público é clara: “Não saiam de casa”. Aos médicos, enfermeiros e demais colegas de trabalho, o caso é ainda mais restritivo: “Não fiquem nem próximos dos parentes em casa e tentar ficar isolados”.

Já há relatos de casos, no próprio hospital e em outros particulares, de médicos diagnosticados com coronavírus e entubados.

As últimas informações das autoridades italianas apontam para um número superior a 4.000 mortes. O país foi o primeiro a fechar todas as suas fronteiras na Europa. A região norte é a que concentra o maior número de fatalidades.

Médicos e enfermeiros com máscara de poeira

Um segundo áudio recebido pelo Ultra POP de uma outra profissional, desta vez de um hospital da área privada de um bairro nobre de São Paulo, apontou a escassez de materiais para execução do trabalho em meio ao combate ao coronavírus.

Aos prantos, a profissional revelou que não há avental decente e que a direção do hospital comprou máscaras de (proteção contra) poeira para que médicos e enfermeiros usem.

Segundo a cartilha de proteção respiratória contra agentes biológicos, deve ser utilizada, no mínimo, a máscara cirúrgica — definida como N95 — em casos em que a proximidade com o paciente for igual ou inferior a 1 m. A máscara contra poeira está uma escala abaixo. Em sua embalagem, há o aviso claro de que o produto não pode ser usado em ambiente hospitalar.

O hospital é o Leforte, um dos principais da capital paulista e, há anos, a base oficial do GP do Brasil de Fórmula 1.

Procurada pelo Ultra POP, a instituição se manifestou na noite de hoje e não negou o uso de máscaras contra proteção de poeira. Ainda, atualizou o número de casos suspeitos para COVID-19 em seus espaços. Segue na íntegra:

“O Grupo Leforte informa que suas três unidades (Liberdade, Morumbi e Hospital Christóvão da Gama, em Santo André) estão com 32 pacientes internados com suspeita de infecção pelo novo coronavírus. A instituição conta com equipe e estrutura para este atendimento e não tem medido esforços para garantir a segurança e o bem-estar de seus colaboradores, corpo clínico, pacientes e familiares, diante do atual quadro de pandemia.

No entanto, existe uma situação crítica de fornecimento de insumos que atinge todo o mercado, para a qual a instituição está atenta e tem trabalhado para minimizar da forma mais rápida possível.

Nesse sentido, lamenta que informações passadas por fontes anônimas sejam valorizadas, com o risco de promover pânico desnecessário, no momento em que o mundo busca superar um dos maiores desafios de saúde pública da sua história.

As unidades do Grupo Leforte estão empenhadas em manter a reconhecida qualidade do seu ambiente de trabalho e da assistência em saúde.”

O Ultra POP não vai divulgar a íntegra dos áudios para preservar o anonimato dos profissionais destes hospitais.

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