Siga-nos

Música

Como o show dos Strokes pró-Sanders pode fazer o rock ser relevante novamente

O gênero musical que já foi sinônimo de subversão representa cada vez mais o pessoal careta e de meia idade, mas isso pode mudar

Aconteceu na noite da última segunda-feira (10) em New Hempshire o show do Strokes em prol da pré-candidatura do democrata e Bernie Sanders como possível adversário de Donald Trump nas eleições de novembro.

Perto do fim do show, a polícia mandou que a apresentação parasse, por conta do horário. A banda, no entanto, encheu o palco de fãs e tocou a música ‘New York City Cops’ como forma de protesto.

Como o rock se tornou a música do ‘tiozão reaça’ no Brasil

Além da disputa eleitoral, uma disputa cultural pode estar sendo travada nos Estados Unidos. O mega evento com participação de uma banda tão importante quanto o Strokes pode fazer do rock relevante novamente. 

Um exemplo de como o gênero foi tão desgastado e hoje é símbolo de uma geração que não vê que o tempo passou são os roqueiros brasileiros. Do reacionarismo clássico, como Roger Moreira e Lobão, até os punks de butique falando aleatoriamente contra tudo e contra todos, como Dinho Ouro Preto, o rock virou ‘música de tiozão’. Além disso, figuras proeminentes da extrema direita brasileira, como o youtuber Nando Moura e o comentarista Caio Coppola também se aventuraram no rock’n roll.

Hoje o que está ligado ao rock é a figura do homem de meia idade, que desdenha de qualquer coisa que seja novidade, coloca sua jaqueta de couro, monta na sua moto e vai se encontrar com seus iguais para falar mal de funk. “Só tem putaria”, reclama, como se não achasse o máximo quando os Raimundos cantavam sobre o jovem que perdia a virgindade em um puteiro. O ex-vocalista Rodolfo Abranches, inclusive, virou pastor, vejam só…

O vocalista do Garotos Podres, José Rodrigues Mao Júnior, resumiu muito bem esse fenômeno em entrevista dada em 2018: “É comum o camarada que, incendiário na juventude, depois de velho, entra para o Corpo de Bombeiros. Muitos elementos do rock da década de 1980 aderiram a essa onda reacionária”. 

https://www.facebook.com/photo?fbid=1924670340994113&set=a.494276280700200

Rock não mostra mais perspectiva para os mais jovens

Se você for uma pessoa jovem, provavelmente não vai se interessar por uma música e artistas que te desprezam. Além do mais, a sociedade evolui, discursos machistas, racistas e homofóbicos cada vez se criam menos. Os roqueiros que agem como cavaleiros protetores dos bons costumes e contra o ‘mimimi vitimista’ vão ser cada vez mais caricáticos.

Se o rock não diz nada e nem diverte essa geração, ela obviamente vai procurar por isso em outros lugares e estilos. O rap ainda se mantém firme e forte na luta contra a caretice e o preconceito. Emicida, ao invés de desdenhar de Pabllo Vittar, a artista mais importante do Brasil nesse momento, a convida para participar de uma música sua, que usa o sampler de ‘Sujeito de Sorte’, de Belchior. Um exemplo claro de como você pode olhar para trás pra pegar uma referência sem querer andar pra trás no discurso. 

A dobradinha Sanders-Strokes pode fazer bem para o candidato, que pode aumentar seu potencial de doações, já que sua campanha dificilmente vai atrair apoios bilionários. Mas também pode fazer bem para o rock, se ele conseguir voltar a ‘cheirar como a espírito adolescente’.

Assine nossa newsletter

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Publicidade
Trending Now
Publicidade

Relacionados

Sete anos sem Chorão. As saudades de uma geração

Música

Publicidade
Assine nossa newsletter

Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Connect
Assine nossa newsletter