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Política

PT x PT: pré-candidatos se aliam contra imposição de PM como nome do partido em Salvador

Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura, e Vilma Reis, socióloga, se posicionam em defesa de prévias

PT de Salvador discute processo de escolha de candidatura à Prefeitura da cidade (Foto: Divulgação)

A Bahia é hoje é o principal palanque eleitoral do PT no país, sendo o estado mais populoso governado pelo partido. Em 2018, o candidato da legenda à presidência, Fernando Haddad, ganhou em todas as zonas eleitorais de Salvador. E é, na capital baiana, onde o PT assiste a uma das suas mais acirradas disputas internas para a escolha da candidata (ou candidato) que vai ser apresentada na eleição pela Prefeitura da cidade, nunca administrada pelo partido.

Dois pré-candidatos, Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura dos governos Lula e Dilma, e Vilma Reis, negra, socióloga e ex-ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado, participaram na noite de ontem (11), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto do Estado da Bahia (Sindae), de um evento em defesa das prévias para que seja decidido o nome do PT.

Há quem perceba na movimentação de ambos uma espécie de aliança informal contra a estratégia colocada em curso pelo governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner. As duas maiores lideranças do PT baiano apresentaram ao ex-presidente Lula, em reunião em São Paulo, o nome da Major da PM Denice Santiago, também uma mulher negra, para ser sacramentado sem disputa interna.

Aliança pelas prévias

Pré-candidatos se reúnem em defesa de prévias no PT (Foto: Eduardo Mattedi)

Na reunião de ontem, Juca Ferreira chamou Vilma de “aliada” em defesa de um processo de escolha democrático no partido. “Detesto alinhamento automático. Eu nasci militando contra o voto de cabresto e não vou trazer pra dentro de um partido socialista a aceitação desse tipo de voto. Eu sei que a caneta tem uma força. Sei que os líderes têm força, mas esses líderes têm que ter também a humildade de saber que eles só são líderes porque eles contam com a confiança da base do partido e essa cumplicidade não pode ser quebrada. Então, é nesse sentido que eu vim aqui defender a democracia, defender os processos reais do PT”, argumentou Ferreira.

Em entrevista ao Ultra Pop, Vilma ressaltou a aliança entre ela e Juca em defesa das prévias. “A gente tem feito um debate em defesa da democracia. Eu sou uma liderança, assim como o companheiro Juca, e a gente defende que a militância, através das prévias, possa decidir o processo, de um modo horizontal mesmo”.

Nome da PM

A apresentação do nome de um quadro militar é interpretado por críticos como uma concessão para o avanço do conservadorismo no país. Nesse sentido, partiu de Juca Ferreira, na reunião de ontem, a mais forte reação à estratégia de Rui Costa e Jaques Wagner:

“É importante desafiar essa estratégia que tá sendo construída de trazer uma pessoa que, independente de suas qualidades pessoais […], veste farda da Polícia Militar, que é um instrumento de opressão nos bairros da cidade. É inquestionável isso. […] Essa marca militarizada dessa possível pré-candidata, ela é indelével, porque a população sofre com a presença. Não é sinônimo de segurança. É sinônimo de insegurança”, disse o ex-ministro da Cultura.

Na entrevista que concedeu ao Ultra Pop, Vilma Reis não criticou diretamente a apresentação do nome de Major Denice Santiago, mas preferiu ressaltar aspectos de sua pré-candidatura, opostos ao que a Polícia Militar simboliza:

“Eu defendo a candidatura de uma mulher, negra, de esquerda, para mandar a mensagem de afirmação em direitos humanos para a sociedade. Defendo uma cultura de esquerda, que passa por afirmar direitos humanos, se colocar contra o horror da guerra às drogas. Sou abolicionista penal. Não fujo de nenhum debate. Me coloco contra a militarização das escolas, contra a privatização de escolas. A sociedade precisa de mais escolas e não de presídios”, declarou.

Sem o citar, Vilma mira também no governo Rui Costa. O governador tem colocado em curso um plano estadual de militarização das escolas e, em janeiro desse ano, conseguiu a autorização na Assembleia Legislativa do estado para a venda do terreno do Colégio Odorico Tavares. Localizada em um bairro nobre de Salvador, a escola deverá ser vendida para algum empreendimento imobiliário. Os recursos da venda, segundo a Secretaria Estadual, deverão ser revertidos para a construção de colégios em áreas periféricas da capital.

Rui Costa e sua candidata Major Denice Santiago (Foto: Reprodução/Instagram)

Vilma explica ainda que sua disputa não é com a Major Denice Santiago, mas com o patriarcado: “Nós não temos nenhuma mulher negra adversária nossa. Nosso adversário é o patriarcado. O debate que nós vemos é libertador. Nós entendemos que o PT só ganha em Salvador com a candidatura de uma mulher negra e de esquerda”.

O PT tem ainda como pré-candidatos a secretária de Promoção da Igualdade Racial Fabya Reis e o deputado estadual Robinson Almeida. Alinhados ao governador, os dois devem sair da disputa caso a Major Denice Santiago tenha sua pré-candidatura confirmada.

Se tiver o nome lançado pelo partido, Denice Santiago, responsável pela Ronda Maria da Penha, que lida com o atendimento às mulheres vítimas de violência, disputará contra Bruno Reis (DEM), aposta do prefeito ACM Neto (DEM) para manter o domínio sobre a prefeitura. Antes disso, entretanto, ela precisará superar as disputas internas e questionamentos legais sobre a possibilidade dela ser candidata sem se afastar do cargo que ocupa na PM.

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