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Política

“Política de isolamento tem que vir junto com garantia de renda aos trabalhadores”, diz Marcio Pochmann

Economistas cobram medidas como a revogação temporária da PEC do congelamento, que já tirou mais de R$ 20 bilhões do SUS

O Brasil entra em mais uma semana com alto número de mortes pela pandemia do Covid-19. Com 254.220 casos confirmados até a última segunda-feira (18), já somos o quarto país com mais casos da doença e o sexto com mais mortes: 16792. 

Única medida mundialmente eficaz para conter a doença, as políticas de isolamento social não estão funcionando como governadores e prefeitos gostariam. Um exemplo é o da capital paulista. Com pouco menos de 50% de isolamento diário, o prefeito Bruno Covas (PSDB) encontra dificuldades para aproximar o isolamento de 70%, número considerado próximo do ideal pela Organização Mundial da Saúde.

Em entrevista ao Ultra POP, o economista e professor da Unicamp Marcio Pochmann acredita que uma política de isolamento social só será completamente eficaz caso envolvesse alguma garantia de emprego e renda para os trabalhadores ficarem em casa. Caso contrário, a necessidade falará mais alto.  

“Simultaneamente ao estabelecimento do isolamento social, tem de haver uma garantia de condições de manutenção de emprego para as empresas, sobretudo as pequenas e micro, e também de renda para os trabalhadores não empregados e informais. O isolamento social no Brasil é quase um isolamento de classe. Quem mora numa casa precária e não tem garantia alguma está diante de um dilema que é: ficar em casa sem saber o que fazer diante da geladeira vazia ou correr o risco de ser contaminado. Num país com até 80% da população vivendo com até 2 Salários Mínimos é impensável o isolamento social sem garantia de renda”, disse. 

A velha diferença de investimentos para o andar os mais ricos e mais pobres também é notável nesse cenário de pandemia. Enquanto o BC anunciou R$ 1.2 trilhão para socorro aos bancos, o auxílio emergencial para os trabalhadores autônomos, MEI e aos beneficiários do Bolsa Família não chegou a R$ 100 bilhões. Diversos especialistas já estão cobrando que medidas mais duras sejam tomadas como, por exemplo, a revogação da PEC do Congelamento, aprovada no governo Michel Temer, que retirou mais de R$ 20 bilhões do Sistema Único de Saúde (SUS).     

“Até agora não existe quase nada para essa parcela da população. De tudo que foi liberado de recurso até agora, de cada R$5, R$4 foi para o andar de cima e só R$1 para os mais pobres. É muito difícil que os governadores e prefeitos tenham êxito nessa política de quarentena”, finalizou. 

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