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Política

Para combater fascismo, influenciadores tomam posições políticas e estudiosos investem no didatismo

Posições como a de Felipe Neto podem furar a bolha, mas como evitar que o ‘isentismo’ eleja um Bolsonaro de sapatênis?

Em 2016 a Universidade de Oxford elegeu `pós-verdade` como a palavra do ano. Seus significado é ‘ relativo a ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influenciadores na formação da opinião pública do que apelos à emoção ou à crença pessoal’. 

No ano da eleição de Donald Trump e do plebiscito que tirou o Reino Unido da União Europeia, a escolha da palavra significou o nascimento de uma nova era. As evidências científicas foram substituídas pelas opiniões mal ou nada embasadas. Teorias como a da Terra Plana ou de que vacinas fazem mal a saúde ganharam o grande público. A ponto de emissoras de TV promoverem uma série de falsos debates entre a civilização e a barbárie, ao vivo.

Professores e comunicadores foram os que mais sofreram com essa onda. Os primeiros foram tachados de doutrinadores pois, já que eu posso fazer a minha verdade, porque preciso ouvir profissionais da educação ou cientistas? O segundos foi paulatinamente sendo substituído pelas redes sociais. A teoria mais esdrúxula ganha um verniz de credibilidade quando é sucedida por frases como: “isso a Globo não mostra”. 

E daí os influenciadores envoltos em pseudo-ciência ganharam bastante importância na sociedade. Figuras como Olavo de Carvalho e Nando Moura alcançaram milhões de seguidores ao espalhar informações falsas e teorias como que a Pepsi é adoçada com fetos abortados. O que era piada ganhou o poder no mundo todo. 

Porém, setores liberais e de esquerda vem identificando a importância de se apropriar das redes sociais como importante plataforma de conhecimento científico ou de opiniões ancoradas na verdade. Felipe Neto, seguido por milhões de crianças e adolescentes, cobrou artistas e influenciadores para se posicionarem contra o governo Jair Bolsonaro no último sábado (9). 

Na sexta-feira (8) Gabriela Prioli, professora de direito do Mackenzie e youtuber fez uma live com a cantora Anitta, famosa por seus “silêncios ensurdecedores” sobre qualquer acontecimento mais polêmico, e falou sobre política. A cantora até chegou a confessar pra amigos que deseja ser presidente do Brasil um dia.

Posicionamentos como o de Felipe e atitudes como o de Prioli são úteis, sim, na luta contra o fascismo. Furam a bolha e dão mais substância e argumentos para milhões criticarem o governo. Mas e depois? Como continuar tendo uma massa crítica para não ser levado por novos Bolsonaros, dessa vez usando perfumes caros e sapatênis?

Hoje em dia diversos cientistas sociais, historiadores e economistas já estão pensando em conteúdos mais aprofundados de formação política em canais do youtube ou podcasts. No lado, digamos, mais liberal do espectro político, o filósofo Henry Bugalho e o canal Meteoro Brasil são dois bons exemplos. O primeiro debate temas da política nacional com uma estrutura mais simples, de youtuber clássico de frente das câmeras. Já o Meteoro, mantido por dois jornalistas, aposta em uma edição mais elaborada e discurso mais didático e informativo, e não colocam seus restos nos vídeos. 

Na área econômica, Eduardo Moreira, que já foi sócio do Banco Pactual, é uma voz da área que foge dos comentaristas clássicos da Globo News, em que todos concordam entre si. Moreira é crítico da política econômica ultraliberal de Paulo Guedes e toca em assuntos como a desigualdade, distribuição de renda e reforma agrária em seu canal. 

As ideias mais radicais também estão com cada vez mais espaço nas redes. Liderados por Sabrina Fernandes, Humberto Matos e Jones Manoel, os canais que difundem o marxismo na internet contam com mais de 400 mil seguidores no youtube e produzem conteúdos gratuitos de formação política.

O fio condutor deles está no próprio nome do canal de Sabrina, o Tese Onze, que lembra de uma das teses de Karl Marx que dizia que “os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo”. 

Por mais que haja grandes diferenças na visão de mundo das figuras citadas acima, é essencial pensar na importância do trabalho delas. Além de levar conhecimento científico sem alarde nem informações falsas, estão também preocupados na forma e não só no conteúdo do formato.  

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