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Política

Ou é o fim de Bolsonaro ou é o nosso fim

Bolsonaro não tem a menor preocupação com o povo. É irresponsável e incapaz. Seu DNA testa positivo para genocídio

Bolsonaro jamais teve qualquer característica válida que lhe levasse à presidência (Foto: Reprodução)

Em tempos de ignorância como meio de vida, qualquer indivíduo que soe inteligente ganha admiração da parte da população que se preocupa com isso. Há o exemplo recente da jovem Gabriela Prioli, comentarista da recém-nascida CNN Brasil que participa do programa ‘Grande Debate’ e diverge com clareza do outro lado, enviesado à direita e ao liberalismo. Outras personagens do nosso cotidiano ganharam espaço ao longo dos anos. Discordâncias à parte, Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal são ouvidos. Não fosse o episódio com a transexual Suzy, Drauzio Varella seria a unanimidade nacional.

Os exemplos acima são de pessoas que têm carisma, domínio e propriedade no que pensam e falam, têm fácil e coeso poder de expressão e comunicação, ouvem democraticamente o próximo e, notoriamente, apresentam nato indicador de liderança. Cortella e Karnal foram cotados como possíveis ministros ou secretários de governo; naquele vídeo de pedido de desculpas, Varella usou o encerramento para dizer que jamais teria qualquer pretensão política quando muitos já pensavam em uma campanha pró-Drauzio 2022.

Lá naquele infindável 2018, Bolsonaro já era alguém em termos nacionais porque a mídia, televisada, radiodifundida, impressa e digital, ajudou a catapultar. Com quase três décadas mal servindo a população do Rio de Janeiro, seu perfil era muito claro: o político carreirista que não tinha qualquer iniciativa nem capacidade intelectual para criar leis ou benefícios e vagava livre sem prestar contas. Se a burrice era eminente, ao menos Bolsonaro tinha uma qualidade: a esperteza. O importante era, não importava como, sempre se ligar e coligar a fim de se manter no cargo. Na vida de mamata, trouxe à baila seus filhos. Que, da mesma linhagem do pai, passaram a usar dos mesmos expedientes.

Bolsonaro se lançou presidente quase que evitando ganhar. Só que a polaridade exacerbada, o ódio insuflado ao PT e a facada que não foi total e corretamente explicada deram cada vez mais projeção à candidatura. Contou com a avalanche de notícias falsas pelas redes sociais. Apesar dos recorrentes e clamorosos avisos, deu no que deu.

Chegava ao poder alguém de empatia próximo a zero, sem qualquer capacitação intelectual e técnica para qualquer um dos assuntos prioritários de uma presidência, com uma dificuldade de raciocínio evidente e latente, ideais autoritários e ditatoriais e com alguma liderança apenas dentro de seu microcosmo alienado e similar. Não é como Cortella, Karnal ou Dráuzio: ninguém para o que está fazendo para ouvir Bolsonaro discursar e se posicionar porque Bolsonaro é um mix de vazio com vácuo. Entrando na seara dos políticos, Bolsonaro sequer se aproxima dos mais recentes presidentes, FHC, Lula e Dilma – com todos os defeitos e erros que eles cometeram.

Faz-se necessário repetir: os esforços foram imensos para que se evitasse o pior. Mas ali estava Bolsonaro e o pacote que vinha com ele.

Os 15 meses de seu governo são todos marcados pelo que se esperava dele: pouca ação concreta e muita mentira, milícia, despreparo, desrespeito, destrato. E crimes. Muitos crimes. Seus dois principais ministros já caíram em desgraça: Sérgio Moro porque não é, definitivamente, o paladino da moralidade que convenceu massas e entende por justiça defender os seus e do chefe; Paulo Guedes é um posto de conveniência à elite e não tem a mais firme ideia de qualquer número que vomite em relação à economia de um país. Não é o momento para se criticar, embora mereçam, os ministros do Meio Ambiente e da Mulher, Família e Direitos Humanos pela forma como tratam a natureza – o ambiente e a dos humanos. Porque se chegou no ponto mais crítico da paulatinamente atacada democracia recente em que Bolsonaro resolveu ser, só ele, o antagonista.

O coronavírus já era de conhecimento público desde o fim do ano passado. O mundo globalizado e conectado indicava ações de prevenção em todos os países. A China começou a erguer hospitais do zero em dez dias. A ação de Bolsonaro foi zero em mais de dez dias. O avanço veio sendo acompanhado sem qualquer preocupação. Não houve sequer fiscalização nos aeroportos ou portos para ou impedir ou deixar em quarentena casos suspeitos que vinham de fora. Chegou março, e enquanto os primeiros casos positivos eram confirmados, Bolsonaro aparecia em público com um sósia de si, feito por um humorista que lhe lambe, para dar entrevistas.

O Bolsonaro raiz estava ali. Bolsonaro faz graça na presidência. Porque espera aplausos – não à toa, tem lá sua claque no Palácio do Alvorada. Porque não é o Brasil que lhe importa. A pátria amada é seu ego. O coronavírus não pode lhe tirar o papel principal. E se este virar o inimigo, Bolsonaro tem de combatê-lo para terminar como herói. Mas, sabemos: Bolsonaro é burro. E como todo burro, nega sua burrice. Se apresentam dados concretos, nega. Se dão soluções viáveis, nega. Se mostram a verdade dos fatos, nega. Só vale o que Bolsonaro pensa que pensa.  

Bolsonaro sequer ouve os seus. As indicações do ministro da Saúde, para muitos o único tem conhecimento técnico neste governo e neste momento, são dadas de ombros diariamente. Enquanto fica escancarada a realidade, segue tratando a pandemia com desprezo. A “gripezinha” já tem mais de 1.000 casos no país e, nas projeções menos otimistas, caminha para ser tão avassaladora como na Itália, onde os mortos beiram os 5.000. Bolsonaro mal sabe se usa máscara inadequada, se usa uma apropriada ou se não usa. A máscara de Bolsonaro caiu.

Assim, compreende-se por que Bolsonaro teima em seguir as mínimas recomendações da Organização Mundial da Saúde e insiste em minimizar o avassalador efeito do COVID-19. Bolsonaro não pode dar o braço a torcer e contrair o que renegou. Bolsonaro sabe o que tem. Mas Bolsonaro, claro, nega.

Porque, lógico, fica a questão: como Bolsonaro é o único dentre mais de 20 daquela comitiva que foi aos EUA que não testou positivo para o coronavírus? E ficam outras: por que não mostra nenhum dos dois resultados negativos, segundo ele, de seus exames? Se não tem coronavírus, por que pretende fazer mais um exame? Porque só Bolsonaro precisa de enésimos exames para provar o que diz não ter?

E o povo? Bolsonaro não tem a menor preocupação com o povo. Quando vocifera e incentiva aglomerações em meio à disseminação em progressão geométrica do vírus, incentiva na ponta final, mais uma vez, que aquele seu rebanho zumbi esteja reunido como aconteceu no último 15 de março. O já possivelmente contaminado Bolsonaro – aquele que convocou, desconvocou, compareceu e depois mentiu, o que mais faz, sobre tudo que fez – possivelmente espalhou vírus em seu rebanho. E mesmo que não mais esteja com seu rebanho, quer que seu possivelmente contaminado rebanho volte a se reunir. Bolsonaro não se preocupa nem com o seu rebanho. Esse é Bolsonaro. Seu DNA testa positivo para genocídio.

Bolsonaro, em seu íntimo, acha que de fato é histeria e fantasia o que estamos vivendo porque Donald Trump também o acha. Bolsonaro, em vez de querer ser alguém, preferiu ser o Trump tupiniquim. Tudo que fez nos últimos 15 meses foi emular Trump. Conseguiu, em alguns traços, na personalidade e, em amplas escalas, na inépcia. Não deixa de ser curioso que todo mundo a seu redor testou positivo depois de se encontrar com o time de Trump.

A mais recente aparição de Bolsonaro surge neste sábado (21) depois do tweet de seu deus, que indicou aos americanos o uso combinado de dois medicamentos, hidroxicloroquina e azitromicina, sem que a OMS ou órgão minimamente competente tenha lhe sugerido. Nos EUA, os casos de infectados passam de 10.000. Aqui, em uma produção naturalmente tosca feita por seus três filhos, na ausência de qualquer autoridade crível dando suporte, Bolsonaro disse que o hospital ‘Alberto’ Einstein está avaliando a eficácia da cloroquina e, como lá, sem ter qualquer resultado comprovado, ordenou que o departamento químico e farmacêutico do Exército amplie a produção sob cuidados do ministro da… Defesa.

O hospital logo divulgou uma nota em que diz que está ainda vendo o protocolo para encaminhar a pesquisa, ou seja, a avaliação do produto mal começou a ser feita. Bolsonaro, como de costume, mente.

Em meio a decisões dos governantes locais para fechamento de estabelecimentos comerciais e avisos para auto-isolamento, Bolsonaro demanda uma produção de um produto que ainda não sabe se combate a doença e, na outra ponta, incentiva novamente a aglomeração pela busca desenfreada da cura pela população, sendo que pessoas se tratam com esta droga para doenças autoimunes e já estão com dificuldade para encontrá-la nas prateleiras. Bolsonaro quer, sempre quis, isso: o caos. Do caos veio, no caos se sustenta.

Dentro de suas faculdades mentais, por assim dizer, Bolsonaro é um torturador com apreço pelo nazismo e pelo fascismo. Na maior parte fora de si, Bolsonaro é comprovadamente louco. Os brasileiros estamos nas mãos de alguém que só se esforça ser quem é e estar onde está. Bolsonaro é limítrofe e nulo como chefe de estado. Bolsonaro é um pulha irresponsável e incapaz. Se o português não lhe é muito familiar a definições muito claras, esta não precisa de outra compreensão: Bolsonaro é um filho da puta de marca maior em níveis que poucos atingiram na história.

O mundo está vendo que, mesmo sem o discurso beligerante e o gesto de arminha, Bolsonaro dá aval para o assassinato de seu povo. Sem os meios democráticos, porque os dois representantes máximos de Câmara e Senado não parecem dispostos a se mover, é mais do que necessária outra via para que Bolsonaro seja combatido, interditado, retirado à força e isolado. Que lá na frente, Bolsonaro pague de alguma forma os crimes que está cometendo, em Haia ou em qualquer outro lugar.

O fim de Bolsonaro é mais do que necessário. Antes que ele represente nosso fim.

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