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Política

O que a pandemia do novo coronavírus pode significar pra direita brasileira?

O governador de São Paulo João Doria sai na frente como candidato da direita civilizada para 2022


Enquanto a maior parte do planeta incentiva a população a ficar em casa para que a pandemia de coronavírus não sobrecarregue o sistema de saúde, o irresponsável do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) entra em colisão com governadores, prefeitos, Organização Mundial da Saúde e o bom senso ao incentivar aglomerações e a abertura de serviços não essenciais no país.

Na outra ponta, por mais que tenhamos que tomar cuidado com os novos discursos de figuras como Doria e Witzel, que foram eleitos na esteira do bolsonarismo de ocasião, a maioria dos governadores e prefeitos estão decretando fechamento do comércio de rua, parques e proibindo eventos com aglomerações. 

Casamento e divórcio

Wilson Witzel (PSC) era um ilustre desconhecido até 15 dias antes do primeiro turno da eleição para o governo do estado do Rio de Janeiro. Pegou carona na onda bolsonarista, chegou ao segundo turno e venceu a eleição. Caso parecido aconteceu com Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais. 

João Doria (PSDB) deixou a prefeitura da capital paulista para disputar a cadeira no Palácio dos Bandeirantes, e precisou colar sua imagem a do presidente para bater Márcio França no segundo turno. Ex-vice-governador de Geraldo Alckmin, Doria o chamou de “Márcio Cuba”, por fazer parte do moderadíssimo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Porém, logo que assumiram o poder, os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro já mostraram a intenção de bater as asinhas para longe do ninho do presidente. Witzel chegou a gravar, clandestinamente, uma conversa em que pedia socorro ao vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). Doria foi até mais longe, declarando arrependimento por ter apertado o 17 na urna.       

Uma escolha muito difícil para 2022?

Sendo longa ou não, a pandemia um dia vai terminar e as pessoas vão voltar a vida social. Nesse longínquo dia, o que será que restará do presidente? O seu discurso para alarmar ainda mais a sua base de apoio dará resultado? No último Datafolha sobre sua aprovação, publicado na última sexta-feira (3), sua gestão da pandemia sofreu uma queda, mas ainda é aprovada por 33% dos entrevistados. 

Mas desde a sua eleição, e com a certeza de que nem Paulo Guedes nem Sergio Moro vão domar o presidente e sua família, parte da imprensa e da classe política cobra o surgimento de uma direita com um discurso mais moderado. 

Em outubro de 2018 tudo era liberado para não deixar o PT voltar ao poder. “Vamos de Bolsonaro e depois a gente vê”, mentiram, como os pais mentindo pro filho que vão comprar o brinquedo na volta. Hoje esse discurso não é mais viável. 

O primeiro nome dessa frente foi o do apresentador Luciano Huck. Jovem, filho da USP, “filantropo” e com uma família de comercial de margarina, Huck ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mesmo antes das eleições 2018. Não topou o desafio presidencial, mas seguiu ali, no radar. Na crise do coronavírus parece que está pecando pela omissão. Tem ficado em silêncio nas redes e, mesmo quando fala, dá declarações bastante ambíguas.  

O ministro Sérgio Moro também é um nome. Muitos acreditavam que ele brilharia como Ministro da Justiça e Segurança Pública e domador de Bolsonaro, mas isso não aconteceu. Apesar de ainda ter uma aprovação superior a do presidente, o ex-juiz se encolhe cada vez mais no cargo a pode perder o timing do desembarque do governo.

Nessa corrida quem saiu na frente foi João Doria. Com uma caneta poderosa, a de governador de São Paulo, e espírito marqueteiro, conseguiu se colocar como o anti-Bolsonaro desde o início da crise e, com a ajuda de uma imprensa amiga que os tucanos de São Paulo conhecem muito bem, tem tudo pra sair por cima do divórcio com o presidente.   

Ainda é cedo para apostar em qualquer coisa, mas é fato que se as campanhas não estão nas ruas para evitar as aglomerações, elas já estão nas redes.   

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