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Política

O exterminador de presidentes?

Terá Moro jogado a pá de cal no governo Bolsonaro ou o apoio do centrão será a boia de salvação do governo?

Sérgio Moro, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro: o começo do fim? (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)

Jair Bolsonaro foi eleito após a formação de uma tríplice aliança entre ultraliberais, lavajatistas e bolsonaristas. Tudo parecia ser confundido como uma coisa só no início do governo, mas a pandemia e o avanço das investigações em direção ao gabinete do ódio, envolvendo o filho favorito do presidente, Carlos Bolsonaro, antecipou o divórcio que se projetava para 2022.

Na manhã de hoje (24), o então ministro Sergio Moro fez um pronunciamento se demitindo, após, segundo ele, ter sido surpreendido com a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo. Nessa declaração, Moro denunciou que Bolsonaro estava preocupado com o prosseguimento das investigações junto ao Supremo Tribunal Federal e que queria um diretor-geral a quem pudesse ligar pessoalmente.

Moro disse que tentou indicar um nome que mantivesse a autonomia da Polícia Federal, existente em governos anteriores. Chegou a citar os ex-presidentes Lula e Dilma. Qual autonomia se esse era o desejo manifesto do presidente e, portanto, seu chefe? E, ao ouvir isso, por que Moro não denunciou, tendo ainda buscado outra solução? Terá o brioso ministro, tão preocupado com sua biografia (qual?), incorrido em crime de prevaricação e essa coletiva foi uma delação a ser premiada com reposicionamento à disputa presidencial em 2022?

Moro era o ministro mais popular de Bolsonaro, fazendo sombra ao presidente. Chegou ao governo depois de ter sido juiz que não respeitou direito à defesa, guiou o andamento da Lava-Jato, como revelou a Vaza-Jato, perseguiu o ex-presidente Lula e o PT, e aceitou o cargo em plena campanha eleitoral de 2018. No governo, se comportou como salvaguarda jurídica das investidas presidenciais.

Sua saída pode ter duas consequências: uma de longo prazo, sendo esse pronunciamento o lançamento de sua candidatura a presidente, com direito a buquê de rosas oferecido por sua “conge” e apoio da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que chegou a ser líder do governo Bolsonaro no Congresso, mas que está em rota de colisão desde sua retirada da liderança.

Outra, de curto prazo, com a possível interrupção do governo Bolsonaro. Além da saída de Moro, que deve levar os lavajatistas a se reorganizarem em torno de sua figura, há o afastamento do núcleo do governo do ministro da Economia, Paulo Guedes. O lançamento do Pró-Brasil, projeto de obras públicas, está sendo guiado pelo núcleo militar do governo e não por Guedes.

Com duas das cabeças do Cérbero governista cortadas (ou prestes a isso), restariam os militares de diversas patentes, os lunáticos olavistas e religiosos fundamentalistas como alicerces do bolsonarismo hoje. E, por fim, mas não menos importante, o apoio do centrão, costurado pelo governo nos últimos dias, com a entrega de diversos cargos.

A pergunta, portanto, que o país faz agora, é se, após a saída performática de Moro (aprende, Mandetta!), o lavajatismo terá dado o tiro de misericórdia no governo. Ou seja, o ególatra juiz de Curitiba, ator importante no plano de desestruturação de um país mais inclusivo, terá feito ressurgir sua vocação nada honrosa de exterminador de presidentes?

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