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MEC de Bolsonaro usa ENEM para pressionar pelo fim do isolamento social

Weintraub faz o jogo do chefe ao defender manutenção do cronograma atual do ENEM

Bolsonaro e Weintraub estão afinados para prejudicar estudantes mais pobres (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O Ministério da Educação (MEC) do governo Jair Bolsonaro começou, desde a semana passada, a veicular uma propaganda do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) que praticamente diz para os estudantes se virarem na preparação para a prova. Veja a inserção no tuíte abaixo:

Sem data confirmada para a realização da prova por causa da pandemia, o MEC pressiona para manter a programação anterior e determinou que as inscrições sejam realizadas entre 11 e 22 de maio.

O vídeo foi rapidamente satirizado nas redes sociais. No vídeo abaixo, por exemplo, @vicpannunzio expõe o que o MEC verdadeiramente queria dizer com sua propaganda:

A atitude do MEC ignora os diferentes níveis de acesso à educação, que pioram por conta da pandemia. O slogan “O Brasil não pode parar” não permite deixar dúvidas de que o ministro da Educação Abraham Weintraub age para empurrar os estudantes em posição contrária ao isolamento social.

Dessa maneira, Weintraub pode bajular seu chefe Bolsonaro, ao seguir a diretriz anti-sanitária e irresponsável do governo em relação à covid-19. Ao atuar em mais uma frente, o governo reforça seu desprezo com a adoção de medidas que controlem o avanço da doença que vitimou 8.536 pessoas até hoje (06).

Elitismo do governo

Essa medida evidencia ainda o elitismo com que Bolsonaro governa. A medida fere o princípio da isonomia, já que alguns estudantes terão (ainda) mais vantagens que outros para se preparar para a prova. Há um grande número de alunos que não possuem acesso à internet e computador em suas casas.

O ex-ministro da Educação e candidato a presidente pelo PT em 2018, Fernando Haddad, se posicionou sobre o assunto:

Ao defender sua decisão, Weintraub declarou que o ENEM não foi criado para acabar com injustiças. De fato, quando foi criado em 1998 pelo ministro Paulo Renato de Souza, durante o governo FHC, o ENEM tinha apenas o objetivo de avaliar o ensino médio. Entretanto, um ano depois o exame já passou a ser utilizado para que estudantes pudessem ingressar nas universidades.

A criação do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), em 2009, fez com que o ENEM passasse a ter outro caráter: os resultados da prova passam a ser utilizadas como critério de entrada por diversas universidades do Brasil e de Portugal.

Com isso, mais o sistema de cotas e a expansão universitária, muda-se o perfil das universidades: negros e pobres passam a frequentar os espaços anteriormente destinados aos filhos da elite brasileira. É contra isso que Weintraub e Bolsonaro se posicionam.

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