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Política

Felipe Neto participa do Roda Viva e desperta haters e fãs

Ao chamar impeachment de “golpe”, youtuber é chamado de “bobinho”; de outro lado, é visto como tábua de salvação para as esquerdas

Felipe Neto no centro do Roda Viva (Foto: Reprodução/YouTube)

A edição de ontem (18) do programa Roda Viva foi histórica (concordamos com Matheus Pichonelli do Uol). Em quase duas horas, a bancada de jornalistas entrevistou o youtuber e empresário Felipe Neto. A participação, como era esperado, despertou a mobilização de haters e fãs.

Logo de saída, Neto, crítico contumaz do PT, deu uma das suas declarações mais polêmicas, chamando o impeachment da presidenta Dilma Rousseff de “golpe”. Ele utilizou o termo ao se referir à sua posição crítica contra o PT em 2016, reconhecendo que se equivocou ao não compreender todas as nuances daquele processo.

A utilização do termo, entretanto, fez com que isentões saíssem das tocas e fizessem questão de discordar publicamente de Felipe Neto. Pra eles, se uma pessoa que não é petista, fala de golpe, ameaça o consenso forjado de que Dilma foi alvo de um processo regular.

A apresentadora do programa e colunista do Estado de S. Paulo, Vera Magalhães, fez questão de poucos minutos terminado o programa, ir ao Twitter discordar do seu entrevistado:

O “garoto” Felipe Neto

Teve jornalista, entretanto, que se mostrou ainda mais incomodada com a presença de Felipe Neto, chamando um homem de 32 anos de “esse garoto”. Foi o caso da jornalista Dora Kramer, colunista da Veja e da BandNews:

Como se diz entre o público de Felipe Neto, Dora Kramer “sentiu!”.

Outro alvo de Felipe Neto foi a meritocracia, classificada por ele de “grande ilusão liberal criada por pessoas que querem vender sonhos”. Em um país tão desigual quanto o Brasil, o youtuber disse que ele estar onde está, mas muitos da região onde ele nasceu – a zona norte do Rio – permanecerem onde estão revela que a meritocracia não existe.

Se, por um lado, Felipe Neto não deve ser odiado, afinal dialoga com um público importante no enfrentamento ao fascismo do governo Bolsonaro, sem medo de chamá-lo pelo que é; pessoas que, como ele anteriormente, não se interessam pela política institucional.

Por outro, não pode ser colocado em um lugar imune às críticas, visto como tábua de salvação de esquerdas supostamente sem rumo. Ao se posicionar como alguém disposto a aprender, Felipe Neto parece entender melhor do que aqueles que estão achando que toda crítica a ele é desprezível, que há outras experiências que ele não acessa.

Há uma diversidade de juventudes que não têm em Neto o lugar de diálogo preferencial. Jovens ribeirinhos, jovens periféricos, jovens do semiárido, todos públicos com os quais quem queira construir um projeto de país que engaje e se posicione contra o fascismo precisa observar.

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