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Política

Estamos na merda

e não é pouco

Completamente na merda. Muito na merda. Sério. Nunca estivemos tão bem relacionados com o lodo. Amigados com o lixo. O senso de humanidade é uma história já envelhecida em barril de asno. Estamos flertando com alguma coisa que, a mim, se parece com o fim. Soa como morte (não tão) lenta e um tanto dolorosa. Sabe quando você sabe que tá tudo na merda? Tem a feição e o cheirinho d’hoje.

Ninguém respeita a constituição, uma prática quase comum, verso de música, não à toa, e, agora, ostentam a ignorância. Promovem. Celebram. Mugem. Relincham. Tomam de assalto os livros, o corpo físico da cultura, e mastigam como se fosse mato, se fosse pasto. Pegam os diplomas, aqueles que vêm no canudo, e fazem fogueira. Ao lado dela, de copo cheio e coração vazio, contam carneirinhos – mortos, claro.

Tadinho de Deus. Questionados, citam Deus. Contestados, clamam a Deus. Elogiados, deixam Deus pra depois. Se adoecerem, pedem que Deus cuide, que Deus proteja, que Deus se encarregue. Deus, penso, não é um burro selado e preso às carroças para carregar quilos de bosta. Também penso que ele, ainda que onipresente, não tome as mãos, como uma mãe, e ajude a lavar. Nem coloque máscaras nos imbecis.

Quando o puro estado da lamúria se instala, perdem-se os parâmetros. Perde-se o norte. Quando um milhar muda de plano, fala-se sobre mensagens de WhatsApp. Quando incontáveis vêem a morte chegar, jetski para esquecer. Se a liderança é afeiçoada à morte, como aquele de outrora que gargalhava com os filmes de Goebbels, criam-se laços macabros com o terror. Laços inquebravelmente poderosos.

Não se discutem mobilizações, não tratamos sobre futuro. Tratamos do dia, de agora, de daqui a pouco. Com a água no pescoço, sobrevive-se quando o poder e o dinheiro são acessíveis. É como superlotar um caminhão de bois e soltá-los no rio de piranhas. Todos sangrarão até que os ossos boiem. Do lado, de fininho, o motorista seguirá o caminho adiante, mas deixando seu rastro de cadáver pra trás.

Chegamos à merda, lambuzamos até os cabelos e não há água para limpar. Nem para prevenir a comunidade. Não há leitos, não há ar. Nem pro pulmão enfermo e nem pro nosso, que fareja por esperança e não encontra. Eles seguem enforcando uns aos outros, lutando pelo comando. Parecem não se importar com o nau (fragado) que os espera depois do caos. Se é que ele vai, um dia, acabar.

Sinto muito por nós.

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