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Em tempos de quarentena, apoie o comércio local

Contra discursos do dono do Madero e do CEO do Giraffas, pequenos e médios empresários terão importância fundamental nos próximos meses

Karl Marx, explicando o fetichismo da mercadoria, disse que, no capitalismo, as mercadorias são humanizadas e os humanos são tratados como mercadoria. E isso vai ficando bastante claro com a postura dos empresários brasileiros diante da pandemia do novo coronavírus. 

Para figuras como Roberto Justus e Luciano Hang, o que importa são as pessoas nas ruas para continuar comprando. Um cidadão só é um cidadão quando tem seu poder de circulação e compra. Não basta desdenhar da vida dos mais pobres com apoios à medidas como a destruição de direitos, precisa defender a morte literalmente.

Junior Durski, dono da hamburgueria Madero e sócio de Luciano Huck, disse que “o país não pode parar por causa de 5 a 7 mil mortes”. Claro, vender hambúrguer é mais importante. Já Alexandre Guerra, CEO da rede de restaurantes Giraffas, manda recado para você que “está numa boa, numa tranquilidade, curtindo um home-office” e que os funcionários deveriam estar mais preocupados com seus empregos do que com o novo coronavírus. 

Fortaleça o comércio local

Na crise de 2008, nos Estados Unidos, ficou conhecida a expressão’ too big to fail’ (‘muito grande pra quebrar’). Eram empresas que, se quebrassem, iriam causar um estrago grande na economia norte-americana e precisariam da ajuda do governo para se reerguer. Em resumo, o neo-liberalismo e o livre mercado não funcionam para determinadas empresas.

O cenário não é fácil pra ninguém nesse momento. Ninguém está numa tranquilidade curtindo um home-office, mas, falando o português claro, gigantes como Madero e Giraffas terão ajuda do Estado quando precisarem. 

Para falar sobre atitudes individuais que podem melhorar a vida de uma maneira pequena, mas simpática, é: fortaleça o comércio local. Compre os produtos que precisar no mercadinho do bairro, peça comida no restaurante mais próximo de sua casa ou da pessoas que vende marmita na sua rua. E, se puder, peça direto no restaurante por telefone ou WhatsApp, evitando os aplicativos de entrega.

Como está sendo a vida num pequeno comércio

Um dos exemplos de como o cenário de incerteza na economia afeta muito mais os pequenos e médios comerciantes é a da panificadora Falcade, que atua há 31 anos na cidade de São Manuel, no sul do estado de São Paulo, e é da família do repórter do Ultra POP João Gabriel Falcade. Ele explica que o comércio tem produção própria a abastecem cerca de ⅓ da cidade. 

“A gente levanta todo dia sem saber o que devemos produzir. Ou quanto produzir. Não sabemos quem virá. Temos, aqui, 25 famílias esperando o salário para garantir o mês. Mãe de família, pai de família. A minha própria família. Se a gente parar, todos ficam na mão. Por mais que a lei ‘permita’ que a gente faça manobras para prejudicar o funcionário, a dignidade não deixa. Foi com eles que a gente se ergueu e será com eles que a gente vai sair dessa. E o orgulho no fim de toda noite quando vemos o quanto de alimento saiu das nossas portas para a mesa das pessoas. Seguiremos firmes, mas com cuidado ao máximo”, contou João. 

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