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Política

Bolsonaro apela ao centrão para se segurar no cargo

Parcela da população que deseja o afastamento do presidente é de 54% contra 37% de quem não quer; pandemia vai atrasar o processo

Pesquisa publicada nesta segunda-feira (27) pela consultoria Atlas Político mostra que a maioria da população é favorável ao impeachment do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). 

Após a demissão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e as acusações de que Bolsonaro interferiu em investigações da Polícia Federal para proteger seus filhos, mais da metade da população já deseja o afastamento do presidente. Mas uma coisa é certa: a chance de ocorrer qualquer avanço nesse sentido enquanto a pandemia do coronavírus estiver no seu auge é muito pequena.

Com ruas esvaziadas e o Congresso trabalhando de forma remota, não existem muitas chances de pressão popular para o afastamento do presidente, apesar dele já ter dado muito mais motivos para a queda do que Dilma Rousseff. Também, usar esse momento de crise na saúde para pedir o afastamento de Bolsonaro pode pegar mal para deputados e senadores, já que podem ser acusados de negligência com o coronavírus e ninguém quer isso em ano de eleições municipais. 

Agora, é necessário prestar atenção a alguns movimentos do governo e de setores que anteriormente eram simpáticos a Bolsonaro. O presidente joga suas peças em uma aproximação com o chamado centrão, grupo de partidos que, como dizia Tancredo Neves, “entre a Bíblia e O Capital, fica com o Diário Oficial”. 

Bolsonaro colocou alguns cargos na mesa e figuras como Arthur Lira, Waldemar da Costa Neto e Roberto Jefferson já enviaram o famoso “oi sumida”. Já há nos bastidores o boato de que o Ministro da Ciência e Tecnologia Marcos Pontes será o próximo a cair para abrir mais espaço para o centrão. Como aprendemos nos últimos anos, processos de impeachment são políticos antes de qualquer coisa e a arriscada manobra pode fazer com que a base de deputados do governo seja ampliada. 

Por outro lado, setores lavajatistas da justiça e do empresariado já saíram ao ataque contra o governo após a demissão de Moro. O ex-procurador e coordenador da Operação Lava Jato Carlos Fernando Lima, que admitiu na Globo News que Bolsonaro era o candidato da operação no segundo turno da eleição de 2018, disse ao Globo que “o presidente radicalizou num sentido que só pode significar que ele está imbuído de má intenção” se referindo a tentativa de Bolsonaro de tentar interferir nas investigações da PF e sobre o afastamento de Moro e do ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo. 

Já no lado empresarial, a aprovação do governo também sofreu um duro golpe. Gabriel Kranner, presidente do grupo Brasil 200, que reúne empresários como Flávio Rocha, da Riachuelo, e Luciano Hang (véio) da Havan, declarou à Folha de S.Paulo que o governo é uma decepção absoluta.

Um último ponto que não pode ser deixado de lado é a situação do Ministro da Economia Paulo Guedes. Ele não escondeu de ninguém a sua discordância ao projeto Pró-Brasil, apresentado na semana passada, que visa aumentar o gasto público do governo em infraestrutura para reaquecer a economia. A ideia vai na contramão do ultraliberalismo de Guedes, que prefere deixar na mão da iniciativa privada a capacidade de investimento.

As peças já estão se movendo pelo impedimento ou não do presidente. A demissão de Sérgio Moro, o ministro mais popular do governo, pode ter sido um suicídio político, mas a impossibilidade das ruas serem tomadas pela sua derrubada imediata pesa a favor do governo nesse momento.

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