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Bolsonaro se descola de mexicano e se torna pior presidente a lidar com COVID-19

López Obrador se recusa a adotar medidas mais restritivas, mas anunciou medidas de isolamento social e apoio a mais vulneráveis

Presidente mexicano, Andrés López Manuel Obrador, começa a rever medidas de enfretamento à covid-19 (Foto: Divulgação)

Desde o início da crise causada pela covid-19, diversos analistas têm igualado os presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), de esquerda, e do Brasil, Jair Bolsonaro, de extrema-direita, por se recusarem a adotar medidas mais restritivas de combate à pandemia. Análises que se referem, por exemplo, ao suposto populismo de ambos como razão para essas recusas, mesmo que eles ocupem posições ideológicas diferentes.

Se Bolsonaro saiu do Palácio do Planalto e apertou as mãos e tirou fotos com apoiadores que participavam de uma manifestação que defendia o fechamento de outros poderes, López Obrador manteve a agenda de viagens em que beijava crianças e abraçava as pessoas.

O pronunciamento de ontem (24) de Bolsonaro fez, entretanto, os dois se descolarem, dando ao brasileiro a posição de pior presidente a lidar com a crise da covid-19. Jair responsabilizou a imprensa por, segundo ele, criar histeria, ironizou indiretamente uma fala do médico Dráuzio Varella, criticou governadores e questionou as medidas de isolamento social, sugerindo que as crianças deveriam voltar às escolas. Desconsiderando recomendações de organismos de saúde e decisões de governos mundo afora.

Mudança de rumo

Ontem, por sua vez, López Obrador anunciou a segunda etapa de medidas de enfrentamento à pandemia, tendo como fio norteador o distanciamento saudável que as pessoas devem adotar umas das outras. Apesar de ainda se recusar a adotar toque de recolher e medidas restritivas mais duras, argumentando ser contrário a qualquer forma de autoritarismo, o presidente mexicano disse que ouvirá os especialistas.

AMLO anunciou linha de crédito para pequenos empresários e permitirá que as pessoas mais vulneráveis trabalhem de casa, mantendo seus salários. Além disso, declarou que os maiores empresários do país, como o bilionário Carlos Slim, se comprometeram a não demitir enquanto durar a crise.

Importante registrar que a mudança de postura de AMLO ocorre após lideranças políticas, como a prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum, sua correligionária, ter ordenado o fechamento de igrejas, cinemas, museus, academias e bares. E do subsecretário de Saúde do seu próprio governo, Hugo Lopéz-Gatell, ter anunciado fechamento de escolas por 30 dias e suspendido ontem a realização de eventos com 100 ou mais pessoas.

Além disso, o Judiciário mexicano exigiu medidas mais abrangentes do governo com o avanço da doença no país. Há 405 infectados e 5 mortes confirmadas no México hoje. Para efeito de comparação, no Brasil, onde Bolsonaro continua a negar a realidade, são 2.201 casos confirmados e 48 mortes.

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