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Política

“A raça é um elemento de naturalização da morte do outro”, diz Silvio Almeida no Roda Viva

Em uma edição histórica do programa, pensador abordou o racismo, a necropolítica e criticou as políticas de austeridade

Professor da FGV e Mackenzie no centro do Roda Viva (Foto: Reprodução)

O professor Silvio Almeida, da FGV, Mackenzie e visitante da Duke University, ocupou o centro do Roda Viva ontem (22) à noite. Sem correr no risco da repetição (veja aqui quando chamamos o Roda Viva com Felipe Neto de edição histórica), foi um documento histórico. Almeida deu várias aulas na pouco mais de uma hora e meia de duração do programa.

Um dos principais pensadores do país e negro, Silvio Almeida mostrou que a questão do racismo é estrutural em nossas relações sociais. Foi preciso ao apontar que é uma questão que deveria ser da preocupação também dos brancos, pois sem eles, o racismo – uma invenção branca e colonial – não será superado.

A bancada do Roda Viva tentou dar conta da diversidade, se destacando nela a ombudsman da Folha, Flávia Lima, negra, que perguntou a Silvio de Almeida sobre a responsabilidade dos meios de comunicação em relação ao racismo. Almeida respondeu dizendo que são responsáveis por reforçar a cultura racista através de programas de televisão que “reforçam certos estereótipos” sobre os negros, colocando-os em lugares subalternos.

Necropolítica, representatividade e políticas de austeridade

O também professor Thiago Amparo, da FGV, em uma excelente dobradinha, levou a necropolítica ao centro do programa. A partir do filósofo camaronês Achille Mbembe, Almeida explicou que a necropolítica é o modo do Estado moderno gerir a morte e que isso pode ser percebido na morte de jovens negros nas periferias das cidades brasileiras.

Paula Miraglia, do Nexo Jornal, fez uma pergunta, sendo acompanhada por Flávia Lima e Thiago Amparo, sobre a crítica de parte da esquerda e setores progressistas ao que consideraram ser “identitarismo”. O professor criticou o moralismo de parte desses setores, mas afirmou que é preciso estar atento à armadilha da identidade. Não dá pra conceber o racismo separado de questões econômicas e sociais.

Almeida argumentou que o Movimento Negro está na solidariedade das favelas que se explicitam em momentos como esse de pandemia, está nas escolas de samba, nos terreiros, no MST e nos sem-teto. Mais do que cair em representatividades esvaziadas, o alerta do professor Silvio: candidaturas de negros são importantes quando sustentadas em agendas políticas.

Ao criticar as políticas de austeridade e a precarização das relações de trabalho, Almeida despertou a ira de parte dos liberais brasileiros que não suporta qualquer coisa que escape ao pensamento único. Setores que fingem criticar o governo Bolsonaro, mas estão de braços dados com uma política que mata.

Como bem sustentou o professor, se houvesse uma política de renda básica, a mãe de Miguel teria sido obrigada a levar seu filho para o trabalho? Teria que ter trabalhado em meio à pandemia?

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