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Música

Rock in Rio III completa 20 anos: relembre momentos marcantes

Uma das edições mais lembradas do Rock in Rio completa 20 anos. Relembre os momentos marcantes, com boicote, garrafadas, playback e rivalidades

Público no Rock in Rio 2001 (Foto: O Globo)

O dia 12 de janeiro de 2001 marcou o início da terceira edição do Rock in Rio. O festival de música, um dos mais reconhecidos do planeta, encerrou um hiato de 10 anos sem eventos e trouxe uma festa memorável, talvez a única que se equipare ao impacto da primeira edição, lá em 1985.

O ULTRA POP relembra oito momentos que marcaram o festival, que só retornaria ao Brasil em 2011, passando a virar recorrente com suas edições a cada dois anos desde então.

O retorno da Cidade do Rock

Palco da primeira edição, em 1985, a Cidade do Rock acabou demolida semanas após o festival por ordem de Leonel Brizola, então governador do estado do Rio de Janeiro. O político não era dos mais entusiastas do rock e ficou revoltado com declaração de Rubem Medina, então deputado e irmão do organizador Roberto Medina, afirmando que colocaria os jovens contra Brizola durante o festival.

A Cidade do Rock de 2001 (Foto: Antônio Gauderio)

A segunda edição aconteceu em 1991, no Maracanã, mas o formato incomodou Roberto, que decidiu dar um tempo nas organizações e só resolveu voltar a fazer em 2001, agora reconstruindo a Cidade do Rock no local tradicional, que recebeu a estreia do evento 16 anos antes.

Boicote de bandas brasileiras

Algumas das principais bandas brasileiras da época, lideradas pelo O Rappa, decidiram boicotar o evento. Isso porque existia uma cláusula nos contratos que excluía a possibilidade de passar o som e realizar as últimas regulagens de instrumentos antes dos shows, algo que era permitido para bandas e artistas estrangeiros.

Segundo o G1, outro fato que motivou o boicote foi a desvalorização no cachê. Os promotores desejavam pagar R$ 20 mil ao O Rappa pela apresentação, enquanto a dupla Sandy & Junior receberia cinco vezes mais.

Além do grupo liderado por Marcelo Falcão, também houve boicote de Charlie Brown Jr., Raimundos, Skank, Jota Quest e Cidade Negra. Todas estas bandas viriam a se apresentar em edições seguintes do Rock in Rio, com exceção do Rappa.

Prisão de Nick Olivieri

Ex-baixista da banda Queens of the Stone Age, Nick Olivieri causou bafafá justo em um dos principais dias do festival. Isso porque o sujeito iniciou o show completamente nu, apenas usando o baixo como um “tapa-sexo”. O juizado de menores fez o músico colocar uma bermuda e ele foi detido ao fim do show por atentado ao pudor.

Ex-baixista do Queens of the Stones Age é condenado a três anos de prisão -  03/08/2012 - UOL Entretenimento
Nick Olivieri nu no Rock in Rio 2001 (Foto: Ana Carolina Fernandes)

Liberado com uma advertência, Olivieri afirmou que não sabia que ficar pelado era um crime no Brasil, já que via passistas seminuas no carnaval.

Cássia Eller

Cássia Eller foi uma das estrelas daquela edição. Na coletiva de imprensa, afirmou que o Rock in Rio era o seu Woodstock, fez um show em seu melhor estilo, trouxe Nação Zumbi ao palco para um cover afrorreggae de ‘Come Together’ e ainda chocou a todos ao mostrar os seios durante a apresentação.

Homenagem à Cássia Eller no Rock in Rio terá banda original da cantora |  VEJA RIO
Cássia Eller na épica apresentação do Rock in Rio (Foto: Reprodução)

Também invadiu o palco mais tarde para abraçar Dave Grohl, do Foo Fighters, que também tocou no festival. Cássia era fã de Nirvana e aproveitou a oportunidade com o ídolo, que fez aniversário no dia do show.

Cássia viria a falecer no dia 29 de dezembro daquele mesmo ano, por conta de um ataque cardíaco aos 39 anos.

Oasis contra…Guns N’ Roses?

Os irmãos Gallagher, do Oasis, sempre dão o que falar, e não poderia ser muito diferente na participação no evento. Logo no voo para o Rio de Janeiro, Liam assediou uma aeromoça da British Airlines.

Na coletiva de imprensa, um jornalista perguntou o que faria o mundo melhor (que era o lema do evento), e o Liam respondeu: “Um ar mais puro e nada de armas e rosas”, provocando o Guns N’ Roses, que era a grande atração do festival e do dia em que o Oasis tocaria.

Fãs não gostaram muito da provocação e gritaram pelo Guns durante todo o show do Oasis. Antes da última música, ‘Rock ‘n’ Roll Star’, Liam tratou de dedicá-la para Axl Rose.

O show do Guns, que veio com duas horas de atraso, foi a primeira grande apresentação da banda após sete anos de hiato. Não era a formação original, contava com Axl mais rechonchudo e até o guitarrista Buckethead.

Triste, mas eu não me queixo

Outra grande atração do Rock in Rio III foi o Red Hot Chili Peppers, que fechou o festival e saiu com críticas da mídia e do público por uma apresentação “sem alma”. No mesmo palco, mais cedo, a banda O Surto fez um dos shows antes das atrações internacionais.

O grupo brasileiro ficou bastante conhecido pela música ‘A Cera’, que inclusive foi tocada duas vezes na apresentação por conta do setlist tão curto da banda, mas o destaque mesmo foi a música ‘Triste, mas eu não me queixo’, um cover brasileiro de ‘Californication’, do Red Hot.

Não tenho ideia se Anthony Kiedis escutou isso. Eu espero que sim.

Garrafadas em Carlinhos Brown

A estratégia de colocar Carlinhos Brown no palco principal e no mesmo dia que Guns N’ Roses, Oasis e Papa Roach não foi muito bem aceita pelo público, que arremessou copos e garrafas no artista, que respondeu a ira afirmando que era da paz e só jogava amor nas pessoas.

Uma das cenas mais marcantes da história do festival é Carlinhos no corredor que leva ao palco segurando um cartaz escrito “paz no mundo”. Fãs relataram que o ataque ao artista não aconteceu pela “falta de rock” e sim por um pedido para desligar a água do caminhão-pipa que refrescava os espectadores no calor do Rio de Janeiro.

Britney Spears vaiada e criticada

O Rock in Rio III marcou a entrada do festival no mundo teen. Para atrair o público, a boyband N’Sync e a estrela pop Britney Spears se apresentaram na edição, em um dia exclusivo para os shows, como grandes atrações.

Britney estava no ápice da carreira, mas a bandeira dos Estados Unidos no telão durante a faixa ‘Lucky’ foi alvo de vaias dos fãs (coisas que não imaginamos em 2021). A situação não ficou melhor com uma apresentação engessada e com playback, que decepcionou o público de vez.

Também teve bronca de Britney na equipe com microfone ligado, algo que não pegou muito bem para coroar a aparição.

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