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Mamonas Assassinas, as proparoxítonas e os farialimers

No dia em que se completam 24 anos do acidente que matou todos os integrantes do grupo, uma aulinha de português com os cinco

Neste dia 02 de março uma das tragédias que mais marcou o Brasil completa 24 anos: a morte dos integrantes dos Mamonas Assassinas. A banda teve ascensão meteórica menos de um ano antes com o primeiro (e único) disco que tem o mesmo nome do grupo.

Escrever esse texto é difícil porque muito já foi dito sobre os cinco. De onde eram, a história de sucesso meteórico, a relação com o produtor Rick Bonadio, o acidente etc etc. Explicar o estrondoso sucesso da banda é difícil. Ao mesmo tempo tinha acordes interessantes e letras satíricas, rimando andaime com Van Damme. É daquelas coisas que merecem ser curtidas e não explicadas. 

“Nós precisa de worká”

Fazer uma lista com as principais música do álbum “Mamonas Assassinas” é impossível, porque apesar de “Vira-Vira” e “Pelados em Santos” terem estourado mais nas rádios e programas de auditórios, seria injusto com Robocop Gay, hit em casamentos quando os homens da festa se libertam um pouco mais depois de muito uísque e em videokês.

Mas o grupo também foi visionário e tinha um conhecimento profundo da língua mãe. Na primeira faixa do disco, 1406, eles inventam verbos de palavras em inglês aportuguesadas: “money que é good nóis não have/ Se nois havasse nós não tava aqui playando/ Mas nois precisa de worká”. Anos depois palavras como “deletar” entrou no vernáculo oficialmente e cada vez mais ouvimos palavras como “sharear” e “invitar” pelos lados da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.

Tal qual Chico Buarque em “Construção” a banda também investiu em rimas pouco usuais. Na primeira parte de Robocop Gay, as três últimas frases dos versos terminam em proparoxítonas, ou seja, palavras tem a antepenúltima sílaba tônica:



Um tanto quanto másculo

Com M
maiúsculo

Vejam só os meus
músculos

Que com amor cultivei

Minha pistola é de plástico

Em formato cilíndrico

Sempre me chamam de cínico

Mas o porquê eu não sei

O meu bumbum era flácido

Mas esse assunto é tão místico

Devido ao ato cirúrgico

Hoje eu me transformei

O meu andar é erótico

Com movimentos atômicos

Sou uma amante robótico

Com direito a replay

Um ser humano fantástico

Com poderes titânicos

Foi um moreno simpático

Por quem me apaixonei

E hoje estou tão eufórico

Com mil pedaços biônicos

Ontem eu era católico

Ai, hoje eu sou um gay

 
Alô Guimarães Rosa!!!! 

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1 Comment

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  1. Francisco Galdino Filho

    23/06/2020 at 12:32

    DRAMA DE ANGÉLICA – Alvarenga & Ranchinho

    Ouve meu cântico, quase sem ritmo
    Que a voz de um tísico, magro esquelético
    Poesia ética em forma esdrúxula
    Feita sem métrica com rima rápida

    Amei Angélica, mulher anêmica
    De cores pálidas e gestos tímidos
    Era maligna e tinha ímpetos
    De fazer cócegas no meu esôfago

    Em noite frígida, fomos ao Lírico
    Ouvir o músico, pianista célebre
    Soprava o zéfiro, ventinho úmido
    Então Angélica ficou asmática

    Fomos ao médico de muita clínica
    Com muita prática e preço módico
    Depois do inquérito, descobre o clínico
    O mal atávico mal sifilítico

    Mandou-me célere, comprar noz vômica
    E ácido cítrico para o seu fígado
    O farmacêutico mocinho estúpido
    Errou na fórmula, fez despropósito

    Não tendo escrúpulo, deu-me sem rótulo
    Ácido fênico e ácido prússico
    Corri mui lépido, mais de um quilômetro
    Num bonde elétrico de força múltipla

    O dia cálido deixou-me tépido
    Achei Angélica, já toda trêmula
    A terapêutica dose alopática
    Lhe dei em xícara de ferro ágate

    Tomou num folego triste e bucólica
    Esta estrambólica droga fatídica
    Caiu no esôfago deixou-a lívida
    Dando-lhe cólica e morte trágica

    O pai de Angélica chefe do tráfego
    Homem carnívoro ficou perplexo
    Por ser estrábico, usava óculos
    Um vidro côncavo, e o outro convexo

    Morreu Angélica de um modo lúgubre
    Moléstia crônica levou-a ao túmulo
    Foi feita a autópsia todos os médicos
    Foram unânimes no diagnóstico

    Fiz-lhe um sarcófago assaz artístico
    Todo de mármore da cor do ébano
    E sobre o túmulo uma estatística
    Coisa metódica como Os Lusíadas

    E numa lápide paralelepípedo
    Pus esse dístico terno e simbólico
    “Cá jaz Angélica, moça hiperbólica
    Beleza Helênica, morreu de cólica

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