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Música

Chico Buarque fez 76 anos; confira 10 canções de diferentes fases de sua carreira

Do jovem Chico até o desconstruidão, artista influenciou nomes como Mamonas Assassinas

Foto: Ricardo Stuckert

O cantor, compositor e escritor Chico Buarque de Holanda comemora os seus 76 anos nesta sexta-feira (19). Filho de Sergio, paulista, neto de pernambucano, bisneto de mineiro e tataraneto de baiano, Chico, sua voz e suas palavras, representam um Brasil que já não há.

O UltraPOP escolheu 10 (mais poderiam ser 100) músicas para se entender o Chico que fala de amor como quem fala de política, e de política como quem fala de amor.

Ela desatinou

Um jovem Chico, ainda em 1967, gravou a canção que conta a história de uma moça que não parou de sambar mesmo quando o carnaval já tinha acabado. Será que isso acontecerá quando, enfim, podermos sair às ruas tranquilamente? 

Samba e amor

Também no finalzinho da década de 1960, mais especificamente em Chico Buarque nº 4, nosso aniversariante faz a crônica em que ele está com a amada na cama enquanto a cidade toda já está acordada e buzinando na sua janela. 

Construção

Faixa do álbum homônimo de 1970, é quase uma poesia concreta em que as palavras mudam de lugar nas estrofes. Todos os seus versos terminam com palavras proparoxítonas, que contém a antepenúltima sílaba como a mais forte da palavra. Anos depois a estratégia foi repetida pelos Mamonas Assassinas em Robocop Gay.

Acorda amor

Em Sinal Fechado, de 1973, Chico assinou essa música como Julinho de Adelaide, para driblar a censura que já o tinha como grande alvo na época. A canção é uma carta de alguém que precisou fugir de casa de uma hora pra outra para a sua amada. “Se eu demorar uns meses/ Convém às vezes você sofrer/ Mas se der um ano eu não vindo/ Põe a roupa de domingo e pode me esquecer” 

Meu caro amigo

Por falar em carta, Meu caro amigo é outra delas. Em formato de fita cassete, ele e Francis Hime enviam as novidades do Brasil para o amigo Augusto Boal, que estava em Lisboa. “Aqui na terra tão jogando futebol/ Tem muito samba, muito choro e ronqueról/ Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”

Cálice

Nessa faixa do álbum de 1977 ele canta junto com Milton Nascimento, de forma crua e direta, os horrores da ditadura. Apesar do título fazer um jogo com a expressão “cale-se”, não há muito mais espaço para delicadezas e eufemismos. “De que me vale ser filho da Santa/ Melhor seria ser filho da outra/ Outra realidade menos morta”. 

Tanto mar

No mesmo álbum (que pra mim é o melhor de Chico) há “Tanto mar”, em que ele celebra a Revolução dos cravos em Portugal. Um sopro de otimismo em meio ao período mais brutal da ditadura no Brasil. Uma curiosidade é que, no álbum, a gravação ficou “Canta a primavera, pá/ Cá estou carente”, mas a letra original era um pedido de socorro mais explícito em que “carente” era “doente”.

Trocando em miúdos

A última da trinca de 1977 pode ser considerada uma grande sofrência. Era o fim do seu relacionamento com a atriz Marieta Severo e a letra é uma lavação de roupa suja. Se tiver com o coração fraco nessa quarentena, sua audição não é recomendada. “Eu bato o portão sem fazer alarde/ Eu levo a carteira de identidade/ Uma saideira, muita saudade/ E a leve impressão de que já vou tarde”.

Futuros amantes

Pra mim, uma das melhores músicas da obra de Chico. Faixa do CD Paratodos, de 1994, ela tem uma pegada futurista e questiona o que as próximas gerações farão com um amor guardado no fundo do armário do passado e o que significará todas aquelas palavras não ditas e ações não tomadas.

Blues pra Bia

Aqui vem um Chico desconstruidx, como dizem os jovens. Se questionando o motivo de todas as suas investidas para conquistar uma moça não estarem dando certo, ele chega a conclusão de que ela pode ser lésbica. Mas ele não se entrega e arremata: “até posso virar menina/ Pra ela me namorar”

Caravanas

Por fim mas não menos importante, Caravanas é a faixa que encerra o último disco de Chico, de mesmo nome. Feita em parceria com Rafael Mike, a música é uma mistura de MPB com o funk carioca. Ela conta a história dos pobres dos morros cariocas chegando nas praias da zona sul, para horror dos moradores ricos da região. “Doido sou eu que escuto vozes numa gente tão insana?”, se questiona no final.  

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1 Comment

1 Comment

  1. Naide canto

    20/06/2020 at 18:43

    Chico Buarque é maravilhoso suas músicas penetram e nos fazem pensar nos dias que já passaram e nos dias atuais adoro sempre ouvi Chico Buarque lindo e magnífico como sempre 💕💕💕💕💕

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