Siga-nos

Imprensa

Editor da revista ISTOÉ é demitido via WhatsApp após ficar gripado

Crédito: Divulgação

Nas últimas semanas, o mundo inteiro se assustou com o avanço da COVID-19, conhecida também como coronavírus. Por conta disso, muitas empresas decidiram adotar o esquema de home-office a seus funcionários para evitar o contágio e a exposição ao vírus. Na revista ‘ISTOÉ’, da Editora Três, a medida não foi adotada e ainda resultou em uma demissão.

Luís Antônio Giron, editor de Cultura há três anos, foi dispensado por não comparecer à redação após uma grave crise de infecção das vias respiratórias, mesmo apresentando atestado médico. O profissional esteve a trabalho em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, há duas semanas e decidiu seguir trabalhando de casa “para não comprometer a saúde dos colegas”.

Giron afirmou à Fenaj que foi mandado embora por Germano Oliveira, diretor de redação da ‘ISTOÉ’, em uma conversa pelo Whatsapp. “Gripe nunca foi ameaça a ninguém. Eu mesmo trabalhei gripado a semana passa (sic) inteira. Não terá home office, e vamos resolver logo a sua situação. Boce [Você] está fora certo?”, enviou Germano para o funcionário antes de ameaçá-lo em caso de ir à Justiça.

Germano Oliveira é o autor da insinuação recente de que a primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, tem um caso extraconjugal com o ex-ministro da Cidadania, Osmar Terra —  recém-demitido do governo, supostamente, por este motivo. A mulher de Bolsonaro indicou que vai processar a revista.

No ano passado, Germano escreveu uma reportagem em que afirmava que Glen Greenwald, editor-chefe do ‘The Intercept Brasil’, havia sido pago por russos e emiratenses de Dubai para hackear as informações do celular do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que deram origem à Vaza-Jato, série de revelações que mostram as relações promíscuas criadas pela Lava Jato e pelo TRF-4, de Curitiba. Nenhuma das informações de Oliveira foi comprovada.

Germano Oliveira, diretor de redação da revista ISTOÉ (Crédito: Reprodução/TV Cultura)

Germano e a direção de ‘ISTOÉ’ têm ligação umbilical com o governador de SP, João Doria. Em sua página no Facebook, ele postou uma foto ao lado dos jornalistas Vladimir Neto (TV Globo), Ricardo Brandt (‘O Estado de S.Paulo’), André Guilherme (‘Valor’) e Flávio Ferreira (‘Folha de S.Paulo’) em que comemorava a cobertura da Lava Jato que levaria o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “para atrás das grades”. Após reclamações dos colegas, Oliveira editou o texto na rede social e, em seguida, apagou a imagem.

A Editora Três, que publica a revista ISTOÉ, passa por graves problemas financeiros. O Ultra POP entende que mesmo os funcionários que foram demitidos ou se demitiram não receberam qualquer sinal de que vão receber o dinheiro. Há um atraso de cinco meses de salário para os profissionais PJ (pessoa jurídica), além do não pagamento de horas extras, 13º salário ou qualquer outro tipo de direito trabalhista.

A empresa também enfrenta um longo e complicado processo de recuperação judicial, ainda não definido. No início de 2020, segundo apurou o Ultra POP, a Editora Três conseguiu uma parceria com uma empresa de investimentos que enfrenta problemas com a justiça dos Estados Unidos após ser acusada de fraudes.

Assine nossa newsletter

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Publicidade
Trending Now
Publicidade

Relacionados

Transmissões de clubes escancaram importância do jornalismo esportivo

Esportes

Fora do ar na TV, o que Luís Ernesto Lacombe pode fazer para se recolocar no mercado?

TV

Ameaça, demissão, conversa, acerto: o caso Leo Dias-UOL em menos de 24h

Imprensa

O que a pandemia do novo coronavírus pode significar pra direita brasileira?

Política

Publicidade
Assine nossa newsletter

Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Connect
Assine nossa newsletter