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Como cloroquina foi gota d’água para demissão de Rodrigo Vianna da Record

Rodrigo Vianna trabalhou na Record entre 2006 e 2020, até ter sido demitido em abril. O jornalista desabafou durante a nona edição do talk-show Fala y Fala sobre a insistência da emissora, alinhada ao governo de Jair Bolsonaro, em abordar a cloroquina nas suas reportagens

A insistência de Jair Bolsonaro em dar protagonismo à hidroxicloroquina como medicamento para tratamento do novo coronavírus já derrubou dois ministros da Saúde num espaço de menos de um mês. Na última quinta-feira (15), Nelson Teich entregou o cargo por não aceitar as imposições do presidente da República para mudar o protocolo e incluir o remédio, sem eficácia comprovada, para os pacientes infectados pelo Covid-19.

A Record, emissora totalmente alinhada ao que prega Bolsonaro, também adotou a cloroquina como pauta de muitas das suas reportagens recentes. E foi o que gerou a gota d’água para a demissão do jornalista Rodrigo Vianna.

Assista abaixo ao comentário de Rodrigo Vianna no FALA Y FALA.

Com grande atuação no jornalismo investigativo e longas passagens pela Rede Globo (de 1995 a 2006) e pela Record, onde esteve quase 14 anos, Vianna realizou várias matérias especiais, cobriu dois Jogos Olímpicos, duas Copas do Mundo, além de conquistar prêmios pelo seu trabalho. A vida dentro da emissora da Barra Funda, contudo, ficou mais difícil nos últimos anos.

Vianna jamais escondeu seu posicionamento crítico a Bolsonaro. No Twitter, disse que o “ar ficou irrespirável” no fim do seu ciclo na Record.

O jornalista, um dos convidados da nona edição do programa FALA Y FALA, talk-show produzido pelo GRANDE PRÊMIO — site parceiro do Ultra POP —, na última quarta-feira, falou sobre a saída do canal e como a insistência da direção de jornalismo nas pautas sobre a cloroquina selaram seu destino.

“É saber a hora que passou do seu limite. Dessa risca, eu não passo. Por exemplo, estava na Record nos últimos tempos, e começou esse papo da cloroquina, de ter de falar da cloroquina. E fui fazer uma matéria sobre gente que se curou. Já era meio enviesado, né? Mas tudo bem. São histórias e, afinal, é uma vitória a pessoa sair da UTI e falar sobre sua experiência, gostei de entrevistar as pessoas e saber o que é isso”, explicou.

“Mas eles [a Record] queriam que eu falasse sobre a cloroquina. E escrevi para meu chefe: ‘Sobre cloroquina, eu não falo. Arruma outro para fazer. Na matéria que eu for fazer não vai ter cloroquina’. O papel do jornalista crítico é saber dizer não, saber onde estão os limites, é saber onde estão brigando com os fatos”, disse o repórter.

“Opinião, todo mundo pode ter a sua. Mas tem hora que não dá. Aqui, não vou passar desse limite. E para mim, na Record, eu já tinha passado de todos os limites. Já tinha dizendo não há um bom tempo. E aí, criou uma situação incompatível, ganhava um salário bem razoável. E acho que chegaram à conclusão ‘manter esse cara aqui, ganhando bem, para fazer um jornalismo que não bate com o que a gente quer, fica um pouco complicado’”, complementou.

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