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20 coisas que queremos ver no stand-up do Galvão

Amigos, aula sobre fundamentos da física, bingo e soquinho. O que a gente quer no espetáculo de Galvão Bueno no teatro

Por Andrei Paternostro, Bruno Pavan e João Gabriel Falcade

O homem que o Brasil ama odiar ou odeia amar, vai estrear nos palcos do teatro em 2020. A notícia foi dada pelo próprio, em sua conta oficial no Twitter. O espetáculo vai se chamar ‘No Palco com Galvão’ e, de acordo com o narrador “vai ter tetra, penta e vai ter AYRTON SENNA DO BRASIL”.

O Ultra POP vem sem nenhuma pretensão (ou cheio dela) dar umas dicas sobre o que o Brasil quer ver no que vamos chamar de ‘Stand-up do Galvão’. 

1 – Bingo

Se Galvão quiser implantar um quadro em seu programa, o Ultra POP já tem uma indicação: ‘O Bingo do Galvão’. Convidados e espectadores ganhariam cartelas com os melhores ‘bordões’ do narrador. “Tem que saber sofrer”, “teste para cardíaco”, “não pode deixar eles gostarem do jogo”, bingo!, tem como isso dar errado?


2 – Um bloco com os amigos

Fazendo jus ao seu bordão de abertura das transmissões ‘Bem, amigos da Rede Globo’, Galvão é amado por (quase) todos. E a ‘Galvão Experience’ não seria a mesma coisa sem seus grandes amigos/parceiros de jornada. Segundo ele, em TV, nada se faz sozinho e isso se nota na vida do narrador. Na Fórmula 1, por exemplo, seu BFF sempre foi Reginaldo Leme, a quem ele sempre chamou de Regi, um codinome carinhoso. Foram décadas de parceria. Nas Olimpíadas de 2016, fez parzinho com Guga, o ex-tenista brasileiro. Desde os comentários do esporte que jogava até participando de ‘Jornal Nacional’, Galvão e Guga não se desgrudavam. Era divertidíssimo de assistir.

Nas transmissões de futebol, ele já teve a companhia de Pelé, o Rei, que ganhou do narrador um abraço desesperado em alegria pela conquista do Tetra. Um momento para a eternidade e para o fim dos óculos que ele usava –e amassava- naquele momento. Por fim, Tino Marcos. O melhor dos jograis: “Galvão?”, “Fala, Tino”. Essa troca maravilhosa de informações que já dura algumas décadas.  A sugestão é que exista no stand-up um quadro para que os amigos de Galvão sejam recebidos para um café e um bate papo sobre memórias da vida. Glorioso.

Abaixo um vídeo de não tanta harmonia assim entre Galvão e Pelé. Mas, afinal de contas, quem nunca quis ‘matar’ um amigo?

3 – Intensivão de espanhol

Pronúncias de nomes estrangeiros e Galvão Bueno são sempre um capítulo à parte das transmissões comandadas por ele. Em especial, o número 1 da Globo sempre nos abrilhanta com seu apreço pela língua espanhola. Barranquicha (ou Barranquilla, cidade da Colômbia), Pujol ou Ajiala (Carles Puyol ou Roberto Ayala, ex-jogadores de futebol) e Juan Pablo Montocha (ex-piloto da Fórmula 1) são algumas passagens imortalizadas por Galvão Bueno.

4 – Aula relâmpago sobre as leis da Física

O show também pode ter um momento mais Telecurso 2000. Ao lado do seu amigo Arnaldo, Galvão poderia analisar imagens e definir se a física permite tal fenômeno de acontecer ou não. 

5 – Pode isso, Arnaldo?

Esperto que é, Galvão retirou da zoeira popular um bordão e tanto. A internet começou a brincar com Arnaldo Cézar Coelho, parceiro do narrador e ex-funcionário da Globo, sobre lances de futebol –e momentos da vida- perguntando a ele se tal coisa era permitida.

Por sua vez, Bueno começou a repetir a frase durante transmissões, o que gerou um buzz infinito no país todo. Com a aposentadoria de Arnaldo, ficamos todos órfãos de perguntar ao homem do apito, pela voz de Galvão, se isso pode ou não pode.

Aqui fica nossa sugestão: o quadro ‘Pode isso, Arnaldo?’ no qual o narrador poderia fazer brincadeiras com a plateia sob os olhares de Arnaldo, aguardando o momento da avaliação. Se fosse boa ou ruim, era o apitador quem determinaria através da frase que marcou os últimos tempos de sua carreira. É delicioso de imaginar a cena com Arnaldo rindo, como sempre fez, das bobagens de Galvão. Merecemos essa chance.

6 – Sai que é sua, Taffarel

Um outro bordão inesquecível de Galvão é o “Sai que é sua, Taffarel”. Ele mesmo conta que a frase nasceu de um nervoso que ele passava, já que o goleiro geralmente não saía do gol quando precisava. O grito era, na verdade, um desabafo.

Mas talvez o jogo que o bordão ficou mais marcado foi na cobrança de pênaltis contra a Holanda, na semifinal da Copa de 1998, quando o goleiro pegou duas cobranças e o narrador foi ao delírio. “SAAAAAAAIII, SAAAAAAAAIIII, SAI QUE É SUUUUUUUUA, TAFFAREEEEEEEEL!!!!!”

7 – Rolezeiro

Galvão pode ser uma das maiores estrelas do Brasil, mas ele também é do rolê que nem a gente. Como esquecer do vídeo dele se divertindo em uma piscina, arriscando até uma corrida à lá Olimpíadas do Faustão, durante a folga no evento do Desafio de Kart das Estrelas em Florianópolis — que contou com a presença até do Mito japonês Kamui Kobayashi. Ou da farra que ele protagonizou na Copa da Rússia, a França pode ter sido campeão mas Moscou, “Moscou enlouqueceu, amigo!”

8 – Os soquinhos da paz

Galvão é um homem moderno, alguém que sabe ser atual sem deixar classe de lado. Antenado com as práticas dos jovens, ele aderiu a um gesto de saudação muito cool: o soquinho. Aquele cumprimento no qual duas pessoas batem as mãos e depois dão uma espécie de soco, mas de leve, só em brincadeira. 

Galvão não é qualquer e por isso criou um momento específico para o gesto. Ele abre o braço como se fosse rebater uma bola de baseball e deposita toda sua confiança e carinho no soco potente, demonstrando afeto, e vai, com vontade, muita disposição e ainda termina dizendo: “Aêê, é issssooo, boooa”.

Para quem quiser relembrar, a prática se estabeleceu definitivamente com Ronaldo, na Copa de 2014 e se manteve até hoje. Imagina se Galvão fosse até a plateia de seu stand-up para agradecer a presença e distribuir soquinhos. Seria um sonho para todos os fãs.

9 – Momento de mediunidade

Além de ter o dom da palavra, encantado o Brasil há décadas, Galvão também demonstrou um dom de antever o futuro. O caso quase sobrenatural aconteceu no GP do Japão de 1991, última corrida da temporada da Fórmula 1. Ayrton Senna, com o tricampeonato já garantido, deixou seu companheiro de equipe, o austríaco Gerhard Berger passar a vencer a prova. Ao concretizar a ultrapassagem, Galvão vai ao delírio: “Eu sabiaaaaaa”, comemorou o narrador. 

Ele mesmo conta que, após a transmissão, tomou uma bronca do diretor: “Se você já sabia, por que não contou?”

A sugestão do Ultra POP é o quadro ‘Galvão sabia’ em seu espetáculo.     

10 – MICHAEEEEEEEELLLLLLLLLL PHELPS NA BATIDA DE MÃO….

Mostrando sua versatilidade, Galvão também emprestou sua voz para uma das provas mais históricas da natação mundial. O duelo da lenda Michael Phelps contra o sérvio Milorad Cavic, na final dos 100m borboleta das olimpíadas de Pequim 2008, ficou eternizado pelo “Vai perder, vai ganhar, vai perder, vai ganhar, perdeu, ganhou!”. Mas um desconto para o Galvão, porque a diferença de 1 centésimo de segundo foi questionada por Cavic durante muito tempo.

11 – São Luís do Maranhão, o retorno

Aqui falamos de um dos momentos mais extraordinários do poder de improviso de Galvão. Todos sabemos sobre seus dotes de entonação para falar sem precisar dizer, mas nesse amistoso da Seleção Brasileira diante dos Estados Unidos, o narrador se superou, e com folga.

Enquanto lia um recado do ‘amigo internauta’ que morava em São Luís, a canarinho chegava ao gol com uma cabeçada de Alexandre Pato e, vendo a situação, ele não pensou meia vez em emendar:

“São Luís, do Maranhããããããão… olha o gol, olha o gol, olha o gol.”

Não há nada tão justo quanto reviver esse momento lendário no stand-up do Galvão. Ignorar a enxurrada de memes que esse lance gerou seria um pecado capital. A sociedade precisa de um remake. Seria lindo.

12 – Ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é muito melhor

A maior rivalidade entre seleções, no mundo, é Brasil e Argentina. Os dois lados amam odiar-se e isso virou uma mística em todo confronto, mas fato é que faltaria pimenta se não houvesse a voz e a raiva de Galvão em todos eles. Ele comemora mais que os jogadores, tira sarro, fica muito pistola quando perde e eternizou uma frase que extrapolou o futebol. Ganhar da Argentina, até na adoleta, é bom demais.

Deveria existir no stand-up do Galvão algum momento em que o telão mostre grandes jogos do Brasil contra a Argentina, só de vitórias, naturalmente, e todos esses lances sendo narrados ao vivo pelo mestre dos bordões. Um live action do criador com a criatura tendo todo um teatro como arquibancada, vibrando com os momentos, festejando os gols, abraçando o colega ao lado e gritando que é hexa. Seria sublime.

13 – Remake do 7 a 1

Aquela semifinal não fácil pra ninguém. Se o menino que não tinha muita noção de derrota ou vitória foi às lágrimas, o que será que Galvão, voz que nos acompanhou no tetra e no penta e o mais pacheco dos pachecos sentiu?

Entre o “lá vem cruzamentoooooooo” e o “e lá vem eles de novo, olha só que absurdo…” em qual momento que Galvão deve ter sentido vontade de xingar todo mundo em campo? 

14 – Narração de replays

Às vezes a nossa emoção é tão grande que a gente acaba cometendo alguns errinhos. E isso também acontece com Galvão, claro. Em transmissões da Fórmula 1 é muito comum que o narrador se perca e acabe narrando o replay de alguma ultrapassagem como se fosse ao vivo. Mas não importa, a emoção é sempre a mesma.

15 – Pés de Coelho

Em dias importantes, Galvão invoca suas entidades supremas da sorte, aquelas pessoas e organizações que entram em ação para eliminar as más energias e para encaminhar a vitória. Quantas e quantas vezes a seleção foi pro intervalo com um abacaxi nas mãos e a gente viajou com Galvão, Arnaldo e Casão para a Bahia, para receber as vibrações do Olodum. “Cadê? Cadê? ME DÁ O OLODUM QUE EU QUERO VER”, ele profetiza. No final da mini apresentação, ele desabafa sua satisfação com um “é isso, coisa boa, é pro BRASIL virar o jogo”.

E a presença de Zagallo sempre acontece. Seja na lembrança de alguma conquista do ‘Velho Lobo’ ou em alguma coincidência mágica de números e letras que dão 13. Se der a contagem milagrosa, é sinal de sucesso. Mesmo que para isso seja necessária uma mudança gramatical, até. Por fim, se tudo der muito errado, o exódia vem a campo através do “Haja coração, amigo”. Se pintar esse momento, amigo, é porque as mandingas estão próximas do fim.

16 – A primeira vez no UFC

Era 2011 quando a franquia de lutas vivia o auge de sua expansão pelo mundo até que a Globo resolvesse levar a transmissão das lutas para a TV aberta e o escalado para narrar Júnior Cigano só poderia ser Galvão Bueno. A experiência não poderia ter sido mais maravilhosa.

Apelidando os lutadores com ‘gladiadores do terceiro milênio’, Galvão foi espetacular ao narrar os golpes com precisão cirúrgica: “esquerda, direita, esquerda, direita na cabeça..”. Ele ainda deixou o grand finale com mais uma narração empolgada que terminou em um “acaboooou, é campeão do mundo”, quando Cigano nocauteou Velásquez.  Foi, de longe, a melhor narração de luta que o Brasil assistiu.

Que tal fazer um ringue no stand-up só para relembrar esse momento, hein?

17 – Rei dos e-Sports

Falamos por aqui que nosso Galvão é moderno, né. Idade é só um número besta na vida dele. E foi em uma segunda-feira, no ‘Bem, Amigos!’, do SporTV, que os e-sports tiveram a honra de receber a voz do narrador em um de seus eventos.  Enquanto Daniel Toboco, a voz do League of Legends no Brasil tentou a sorte narrando futebol, Galvão se aventurou no LOL e deu um verdadeiro show.

Chamando Arnaldo e Reginaldo para comentarem o trecho que narrava, o rei dos bordões ainda emendou seu clássico “é tetra, é tetra, é tetra”, mas em versão estilizada pro jogo, usando o termo “tetrakill”. A internet enlouqueceu. E fica a dica, Galvão: uma forma de trazer o público jovem pro seu show seria comentar sobre os melhores momentos da semana no LOL, mas com sua narração. Achamos justo.

18 – Briga com Renato Maurício Prado

Uma personalidade nacional como Galvão Bueno não pode fazer uma apresentação tão chapa branca sobre a própria vida. Algumas polêmicas precisam estar presentes. Quem não se lembra da briga que ele teve com o então amigo e comentarista Renato Maurício Prado?

Tudo aconteceu quando Renato levou ao ar uma conversa que Galvão e eles tiveram nos bastidores sobre a medalha de prata do Brasil em Los Angeles no vôlei. Enquanto o pau comia, Carlão, Nalbert e Marcos Vinícius Freire ficaram sem saber o que fazer.

19 – Os errrrrrres do Galvão

Esse momento nem será preciso calcular ou programar pra acontecer. Nosso querido narrador se notabilizou por pronunciar a letra ‘R’ de forma muito especial. RRRRonaldo, RRRROmário, ROOOOnaldinho. E até NeymaRRRR. Não há um nome sequer que não receba uma atenção espacial pra falar o errrrre do Galvão.

Seria muito legal, entretanto, que o stand-up tivesse um nome com um ‘R’ bem demarcado. Até pra ele poder chegar, após as cortinas de abrirem, e dizer: ObRRRigado pela presença de vocês. Seria maravilhoso poder assistir ao vivo e em cores esse momento acontecendo. É quase uma invocação do bem.

20 – Especial F1

Galvão é a voz das corridas no Brasil. Seja nos domingos pela manhã, na madrugada, na emoção de Interlagos. É uma relação umbilical. E foi no GP do Brasil que uma pérola lendária aconteceu. Após receber um aviso da avó de Rubens Barrichello, ex-piloto brasileiro, Galvão passou a lembrar em todos os GP’s do Brasil: a chuva vem da represa. Se o tempo estiver fechado acima da água, a chuva vem. Ele repete esse fato como um mantra. Às vezes funciona, às vezes não.

No histórico encontro entre Rubinho e Schumacher em 2010, quando o brasileiro de aproxima da ultrapassagem e toma uma fechada do alemão, Galvão reage com o famoso “Aiaiaiaiaiai, que é isso?”.

E, por fim, ele é afeito à física. Gosta de explicar detalhadamente sobre as coisas e foi no GP de Mônaco que uma novidade newtoniana surgiu – a reta curva. Uma passagem da pista que não é reta, mas não é uma curva, logo, é uma reta-curva. Achamos coerente.

Esperamos, de coração, que a F1 esteja presente nas esquetes do novo Galvão.

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