Siga-nos

Esportes

Na temporada 100 da NFL, o Super Bowl foi dos latinos – e das latinas

Cantoras latinas dominam e encantam no maior e mais ‘puro sangue’ dos eventos esportivos nos Estados Unidos

Timothy A. Clary/AFP/Getty Images

Com a bandeira estendida por metros quadrados, uma interpretação emocionada do hino nacional americano é executada por um artista representativo na cultura local. No céu, a força área passa, a 1.000 km/h por entre as dimensões do estádio. Orgulhoso, o povo aplaude. Esse é o protocolo de exaltação à cultura americana que acontece em cada edição do Super Bowl, o evento que fecha a temporada do futebol americano.

Falamos aqui de um evento que explora cada centímetro do seu tempo para elevar as cores do país e todo seu poderio. Motivo de enorme orgulho para o povo, para os poderosos, do presidente ao operário, o SB é um sucesso global. Transmitido em cada canto do mundo e fonte de receitas estratosféricas de propaganda, premiação, ativações e bilheteria, é o dia do ano que o AWOL se faz reverberar. Melhores que todos, em tudo.

(Foto: Elsa)

E por mais que esse sentimento tenha se feito como forma de valorizar o capitalismo em meio à Guerra Fria, o significado remanescente desse estilo de pensamento fala sobre como o americano é celebrável, inquestionável. Quase uma carta de expulsão para quem não tem nas veias o puro sangue. Avesso às misturas. Incomodado com a pluralização de sua cultura.

E nada tão original e badalado como a liga que é única no planeta Terra. O futebol que tem no nome o país que o propagou. Na centésima edição da NFL, na cabalística data em que esse esporte que parece eternamente exclusivo dos vizinhos completa um aniversário tão importante, quis o destino que o Super Bowl, itinerante que é, fosse se realizar na mais latina das cidades. O destino era Miami, na Flórida.

O espaço americano em que menos se fala inglês. O espanhol, naturalmente, tomou pra si a voz da cidade. Dominada por latinos que buscam a vida de menos pobreza e mais acesso, ainda que sem a lei ao lado, sem documento, mas com o lenço de mil fios que custa menos em dólares. Visto como bastardo por boa parte do país, Miami é esse espaço de terra que foi tomado e descaracterizado. Não tão puro assim, o sangue que deveria ter.

O Super Bowl 54 foi sediado por lá. Com Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers. Dois times de estados bastante tradicionalistas. No evento mais tradicionalista do esporte. E todo mundo sabe, ou deveria saber, que essa final é o que é por contar um show musical durante o intervalo. Com estrutura de megashow, o evento acontece no gramado que recebe o jogo. Em meia hora, a mágica de montagem, realização e desmontagem ocorre. É o oásis do business no esporte.

(Foto: AP)

Maroon 5, Bruno Mars, Beyoncé. Travis Scott, Justin Timberlake, Lady Gaga e Madonna. Alguns dos nomes que fizeram o lendário show do Super Bowl durante as últimas décadas. A nata do pop norte americano. Os nomes que propagam o som do país pelo resto do mundo. Bandeiras da cultura, centro de lucro e expansão ao projeto de existência dos EUA.

A vez, em 2020, foi para um duo de cantoras. Shakira e Jennifer Lopez. A primeira, colombiana de 43 anos de idade. Mundialmente conhecida por suas músicas em espanhol, ritmos legitimamente latinos, dançantes, irreverentes e próprios do país de onde vem. A segunda, americana de ascendência porto-riquenha, é a artista hispânica mais representativa nos Estados Unidos e também reconhecidamente uma propagadora de ritmos latinos.

“¡Hola, Miami!”, disse Shakira ao iniciar o espetáculo que ainda contaria com uma sequência de grandes hits. Juntas, elas promoveram minutos que enlouqueceram o lindo Hard Rock Stadium. Com fogos de artifício por todos os lados e uma estrutura monstruosa, o show foi uma apologia ao melhor da cultura latina, das misturas, da liberdade cultural, do sonho musical e respeito ao espírito esportivo.

(Foto: Budda Mendes)

J-Lo com uma imensa roupa com as cores da bandeira norte americana, de um lado, e a de Porto Rico, de outro. Shakira falando o tempo todo em espanhol. Bad Bunny, J Balvin e Emme Maribel Muñiz como convidados. A latinização do SuperBowl é uma revolução clara, evidente e inegociável.

(Foto: Elsa)

No evento que foi marcado pelo pouco respeito à diversidade de raças, que ficou marcado pelo preconceito com Colin Kaepernick, a noite foi de quebra, de barreiras superadas, ao menos aparentemente. Pode ter sido a maior quebra de protocolo que a NFL já vivenciou em 54 edições do SB. Não à toa, a crítica foi a melhor possível. Intenso, vivo, brilhante e democrático, o show entra para a história por ter sido muito, mas muito além de 15 minutos de música.

O dia em que a festa americana acabou com um belo e sonoro: “¡Gracias, Miami!”

Assine nossa newsletter

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Publicidade
Trending Now
Publicidade

Relacionados

Joe Burrow é a primeira escolha do draft de 2020 da NFL

Esportes

“Bunda! Bunda!” Nardini detalha entrevista com Marshawn Lynch “muito louco” no Super Bowl

Esportes

5 clipes que têm menos visualizações que os votos do paredão Prior x Manu

Música

Metallica vai transmitir shows na íntegra toda segunda-feira: veja o primeiro

Música

Publicidade
Assine nossa newsletter

Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Connect
Assine nossa newsletter