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Quando Ali transformou Frazier em amigo de Nixon: ‘Luta do Século’ faz 49

Um duelo entre invictos para a definição de vários cinturões dos pesados. O evento era grande por si só, mas Muhammad Ali arrastou Joe Frazier para um referendo cultural

O pôster (Foto: Charlie Ross)

Foi num 8 de março como hoje que Muhammad Ali e Joe Frazier subiram ao ringue montado no Madison Square Garden, casa maior do boxe dos Estados Unidos, para a batizada ‘Luta do Século’. Mais do que uma luta para a história, aquele combate inaugurou uma das mais lendárias rivalidades dos esportes.

A dupla lutava pela unificação dos cinturões dos pesos pesados. Naquele momento, Smokin’ Joe detinha as honrarias do Conselho Mundial de Boxe e da Associação Mundial de Boxe, enquanto The Greatest era o Campeão Linear. Ambos lutava também pelo título vago entregue pela revista ‘The Ring’.

No histórico dos dois, apenas vitórias: Ali tinha 31 lutas e 31 vitórias, 25 por nocaute; Frazier, por sua vez, lutara e vencera 26 vezes, 23 por nocaute. Foi a primeira vez na história que dois boxeadores invictos lutaram pelo título mundial dos pesados.

Além do tamanho dos atletas, a luta tomou contornos míticos por conta do escalonamento social: Ali, um rebelde que rejeitara o chamado para a Guerra do Vietnã, fora vigiado pelo FBI e ficara dois anos e meio sem lutar profissionalmente, já havia se tornado um símbolo do movimento antiguerra e, claro, da luta pelos direitos civis. E Frazier? Atacado por Ali como “amigo do establishment branco” e alguém cujo a vitória “deixaria a Ku Klux Klan feliz”, foi engolido na cultura popular. Acabou abraçado pelo movimento pró-guerra e a direita mais próxima ao presidente Richard Nixon, o que transformou a luta num referendo cultural e político.

É, aliás, uma das grandes injustiças da história do esporte. Frazier não apenas nada tinha a ver com os apelidos que recebeu como havia ajudado financeiramente e feito uma petição oficial a Nixon quando Ali passava pelo bloqueio da licença de boxeador. Frazier inclusive defendeu publicamente o direito de Ali rejeitar a convocação ao serviço militar no Vietnã. Nada disso impediu que Ali promovesse a luta a sua maneira.

Quando a coisa voltou a ser esportiva, foi Joe quem riu por último e venceu a luta por decisão unânime após 15 combates.

Você pode assistir a luta completa:

Os dois voltaram a lutar mais duas vezes: em 1974, na Super Fight II, em Nova York, e em 1975, na Thrilla in Manila, nas Filipinas. Ali, que continuou com as provocações, venceu ambas.

A forma como Ali empurrou Frazier para o colo de Nixon e do racismo sulista teve reflexo no restante da carreira de Joe, bem como na família. Ali reconheceu anos depois que passou dos limites, mas a relação jamais foi boa novamente. Como um ato final, Ali, com a saúde já debilitada, esteve no enterro de Frazier em 2011, 40 anos depois da luta.

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