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Depois do Super Bowl, a NFL vai pensar em como cuidar da cabeça de seus astros?

O surpreendente anúncio de Luke Kuechly e o documentário sobre Aaron Hernandez ligam a sirene na NFL: a consciência sobre o avanço das lesões cerebrais provocadas pelo jogo já fazem atletas trocarem o sucesso pela saúde

Kuechly surpreendeu o mundo da NFL ao anunciar a aposentadoria aos 28 anos pensando na saúde (Foto: AFP)

Recheada de emoção e disputa, a centésima temporada da NFL encontrará o seu fim daqui a alguns dias, quando Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers decidirão quem será o campeão do Super Bowl LIV, em Miami. Contudo, mesmo diante de toda essa euforia, um fato delicado chamou a atenção para um assunto que vai além dos gramados. No dia 14 de janeiro, Luke Kuechly, a ‘Máquina de Tackles’, se aposentou aos 28 anos e surpreendeu o cenário da NFL.

A decisão do, agora, ex-linebacker do Carolina Panthers se dá em um momento curioso, de certa forma. Um dia após de Kuechly pendurar as chuteiras, a Netflix estreou o documentário ‘A Mente do Assassino: Aaron Hernandez’, que relata os processos que culminaram na condenação do ex-tight end do New England Patriots e, posteriormente, ao seu suicídio.

A despeito de todas as questões pessoais enfrentadas por Hernandez em sua vida, após sua morte, ele teve seu cérebro examinado e foi diagnosticado um estágio avançado da chamada CTE ou ETC (Encefalopatia Traumática Crônica).

Cérebro de Hernandez foi alvo de estudo: seu estado, aos 27 anos, parecia o de uma pessoa com 80 e demente (Foto: Divulgação)

Antigamente conhecida como Demência Pugilística, este mal se dá por repetidos traumas sofridos na cabeça, algo comum no futebol americano. Assim como aconteceu com Hernandez, Kuechly apresenta um histórico similar de lesões, talvez até mais perigoso. Durante sua passagem pelo Carolina Panthers, o ex-defensor teve três concussões diagnosticadas, sendo uma delas de grau 3, que é a mais perigosa e envolve a perda de consciência do indivíduo. Hernandez passou pela situação apenas uma vez em sua carreira, isso considerando informações oficiais da NFL.

No anúncio de sua aposentadoria, Luke Kuechly não confirmou que as concussões e um possível receio de sofrer com a ETC poderiam ser os motivos de sua aposentadoria. Contudo, o ex-Panthers deixou implícito que a questão seria, sim, a sua saúde. “Eu poderia continuar jogando, mas não sei se seria a decisão certa a ser tomada… Só existe uma forma de jogar este esporte. É como eu faço desde pequeno, jogar rápido, físico e forte. E eu não sei se, neste momento, eu consigo mais fazer isso”, confidenciou o ex-jogador, em um comunicado divulgado nas redes sociais do Carolina Panthers.

A movimentação de Kuechly atenta para algo que parece ser uma conscientização melhor dos jogadores da NFL com sua saúde física e mental, não apenas momentânea, mas também futura. Antes do ex-linebacker, ainda em 2019, Andrew Luck se aposentou do futebol americano dias antes do início desta temporada. Entre outras contusões, o ex-quarterback do Indianapolis Colts também sofreu com concussões em sua carreira.

Rob Gronkowski (ex-tight end dos Patriots), Kam Chancellor (ex-safety dos Seahawks) e Patrick Willis (ex-linebacker dos 49ers) também são exemplos de estrelas da NFL que priorizaram sua saúde a uma carreira longeva. Casos como estes começam a indicar uma tendência maior dos jogadores a olharem além das glórias do futebol americano: os efeitos letais que ele pode produzir. E, por sua vez, a liga não pode mais achar que são casos isolados ou que simplesmente faz parte do jogo.

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