Siga-nos

Esportes

Bruce Arians põe mantra para trabalhar e constrói ‘Ponte’ Gronkowski

O mantra da carreira de Bruce Arians é famoso: No risk it, no biscuit. No time mais montado para vencer agora em toda a carreira, presentear Tom Brady com Rob Gronkowski faz todo sentido

Tampa Bay Buccaneers/Twitter

No risk it, no biscuit. É o mantra que Bruce Arians usa há anos para tratar do estilo com o qual deseja trabalhar e treinar num campo de futebol americano. Faz sentido que seja assim mais do que nunca no momento em que o time do qual é o treinador, o Tampa Bay Buccaneers, contrata um quarterback que vai começar a temporada com 43 anos de idade – caso haja temporada, claro. É aí que entra Rob Gronkowski, contratado pelos Bucs após um ano fora da NFL. O acordo conta com os seguintes termos: os Bucs recebem o jogador e uma escolha de sétima rodada (241) do Draft de 2020, enquanto os Patriots ficam com uma escolha de quarta rodada (139).

Da última vez que Gronkowski esteve num campo, durante a temporada 2018, deixou sensações mistas. Nos playoffs, já em janeiro e fevereiro de 2019, foi aquele velho jogador de sempre. Gronk dominou quem vinha pela frente e foi o protótipo da ameaça de red zone que você pode imaginar, mas durante a temporada regular ele não foi aquela figura dominante. Com lesões de tornozelo – que, segundo a NFL Media, tratava-se de inflamação no tendão de Aquiles – e nas costas, perdeu jogos e teve as capacidades limitadas por praticamente o ano todo. Não era uma questão de esconder o jogo, Gronkowski tinha dificuldades sérias para conseguir separação dos marcadores, algo que jamais fora um problema antes.

E enquanto, sim, a produção na pós-temporada e no momento das decisões é ainda mais importante do que aquele dos primeiros 16 jogos, é necessário saber admitir que os playoffs contam com até quatro jogos – três para o New England Patriots de 2018. Centralizar forças para despejar em janeiro é uma demonstração de potência mental e habilidade atlética, mas é um fim em si próprio e não necessariamente indica alguma para o futuro. É o presente pelo presente.

De acordo com o site ‘Pro Football Focus (PFF)’, que analisa cuidadosamente jogadores, unidades e times completos durante a temporada completa, Gronkowski terminou a temporada 2018 com uma nota de 73.7 de 100, mesmo contando os playoffs. Foi a única vez desde a temporada de novato que o tight-end ficou com uma nota abaixo de 90. Mesmo naquele ano de 2010 em que surgia na liga, teve 86.7 como nota. O melhor tight-end da temporada para o PFF foi George Kittle, 89.8, e, pasmem: o segundo colocado foi OJ Howard, 89.4, e ainda jogador exatamente dos Buccaneers.

Durante o curso de nove temporadas, Gronkowski teve lesões no tornozelo, nas costas, no braço, no joelho, no tendão de Aquiles, na coxa, nos pulmões, na panturrilha e, claro, concussões. Apesar de estar às vésperas de completar 31 anos de idade, é justo ter dúvidas quanto à capacidade do corpo se regenerar o bastante para seguir suportando a exigência física da NFL, ainda que ele tenha mostrado uma capacidade ímpar de se recuperar e voltar em alto nível durante a carreira. É um poder que, eventualmente, vai de vez para o vinagre.

Por que, então, ir atrás de um TE de 31 anos com uma miríade de lesões e uma interrogação na última temporada regular em que esteve em campo? Por que Bruce Arians quer Gronk, quando nunca foi um grande entusiasta de tight-ends desempenhando um papel de protagonismo em seus ataques?

Porque o que mais importa é deixar Tom Brady o mais confortável possível. Está claro que Arians fará alterações fundamentais em seu ataque vertical para que não deixe Brady exposto no que foi, na humilde opinião deste escriba, o pior problema do futuro QB do Rol da Fama na temporada 2019: Brady se livrou da bola antes do hora certa mais do que algumas vezes quando antecipava uma pancada iminente.

OJ Howard ainda tem 25 anos, mas não caiu nas graças de Arians. Depois de um 2018 que parecia a grande entrada dele no grupo de estrelas da liga, Howard foi um fantasma em 2019, no novo ataque de Arians e Byron Leftwich. Segundo Greg Auman, do site ‘The Athletic’, os Bucs pretendem trocá-lo.

Não faltará mercado para Howard, e é correto que seja assim, embora imaginar um ataque com os dois TEs em seus melhores momentos seja irresistível. Mas Brady e Gronkowski têm uma relação imediata e a sintonia é automática. Que Gronkowski seja mais o jogador de 2018 que o de 2014, agora num ataque não desenhado para fazer dele um protagonista, mas que conte com boa dose de bloqueios e o famoso poderio na red zone – afinal, estamos falando da melhor arma de red zone dos nossos tempos – seria de enorme utilidade.

Gronkowski é peça fundamental para o que é necessário em Tampa: tornar o ataque de Arians mais a cara de Tom Brady, não o contrário. Não faz sentido contratar um QB de 43 anos e com limitações físicas para moldar completamente a forma dele jogar, o que levaria muito tempo.

Os Buccaneers não têm tempo. Brady, aos 43, não tem tempo. Tirando talvez o New Orleans Saints, nenhum outro time da NFL é tão montado para vencer agora quanto os Bucs. Gronk é a ponte entre tornar Brady mais Arians e Arians mais Brady.

É um risco? Claro. Gronkowski receberá US$ 10 milhões em 2020, o que não chega a ser proibitivo para a folha da franquia da Flórida. É uma aposta que custou pouco e pode, caso o corpo de Gronkowski esteja melhor agora que é campeão do WWE do que era quando estava na NFL, render muito mais do que uma escolha de quarta rodada.

Para os Patriots? Em primeiro lugar, o fato de Gronk não estar disposto a voltar à franquia, embora ainda quisesse jogar futebol americano, diz alguma coisa. Mesmo que quisesse voltar, New England não teria como cobrir o contrato em 2020 – é o time mais atolado no teto salarial da liga neste momento. A escolha de quarta rodada é uma recompensa acima da média para um jogador aposentado há um ano e coloca os Patriots com cinco das primeiras 139 escolhas no Draft. É munição importante para, por exemplo, trocar para cima na captura de um jogador que seja querido a Bill Belichick.

Mas a troca é mais sobre os Bucs que sobre os Patriots. E os Bucs arriscaram com uma movimentação arrojada por um futuro membro do Rol da Fama. Na relação custo-benefício, o possível benefício é bem maior que o custo real.

Assine nossa newsletter

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Publicidade
Trending Now
Publicidade

Relacionados

Após 20 anos nos Patriots, Tom Brady assina com Buccaneers

Esportes

Com Reid e Mahomes, Chiefs beiram consagrar revolução. Mas lado sombrio espreita

Esportes

Publicidade
Assine nossa newsletter

Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Connect
Assine nossa newsletter