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Caricato e ultrapassado, Pânico se tornou um Choque de Cultura sem atores

Ao contrário do humorístico que satiriza o hétero conservador, os personagens do Pânico são os próprios integrantes

Reprodução

No longínquo ano de 2018 aconteceu um debate bastante interessante no Twitter: seria o Choque de Cultura um programa de “humor hétero”? Os integrantes, ao invés de repetirem os velhos clichês dos humoristas “politicamente incorretos”, levaram o assunto numa boa. 

O Choque de Cultura é um programa onde os personagens machões debatem diversos assuntos, principalmente cinema, de forma bastante caricata. “Cinema é carro, explosão e mulherio”, disse uma vez Julinho da Van (Leandro Ramos). A graça está justamente nesses posicionamentos preconceituosos e fora do lugar. Quer dizer, preconceito não porque é coisa de cigano. 

O contrário disso é o que faz, ainda hoje, o Pânico. No ar no rádio desde 1993 o programa ficou por 14 anos na TV sendo sucesso de audiência. Era uma atração jovem, que zombava de artistas famosos e levou pra TV aberta, entre outras coisas, um humor físico parecido no estadunidense “Jackass”. Pra época, uma revolução! 

O Pânico hoje é um Choque de Cultura com comediantes ao invés de motoristas de van. Com a vantagem de que eles não precisam interpretar, os personagens são eles mesmos. Inclusive Raul Chequer e Leandro Ramos, integrantes do Choque, já estiveram no programa, o que gerou um debate sobre fazer humor com a parte mais oprimida da população.


Humor boomer? 

No último dia 19 o programa da Jovem Pan recebeu Mário Júnior, conhecido como “sedutor do tiktok”. O garoto bombou nas redes foi criticado pelo economista Samy Dana, que sugeriu que o influenciador “estudasse”. As redes reagiram mal ao comentário, acusando Danna de ter desrespeitado o garoto.

Dias depois a empresária e também influenciadora Bianca Andrade, a Boca Rosa, tentou explicar porque ela é privilegiada por ser branca no Brasil. O vídeo virou uma espécie de debate com Emílio Surita, que a interrompeu várias e várias vezes provando que, talvez, Bianca realmente não seja tão privilegiada em comparação com o homem branco de meia idade.   

Apesar de ser um humor que incomodava a família tradicional brasileira em seu início, o machismo clássico da TV sempre esteve presente no programa. Desde a figura do “arregão”, quando algum integrante se recusava a fazer certos quadros perigosos, até a clássica exploração da imagem da mulher bonita seminua. 

Hoje pode até parecer que o programa faz o caminho contrário, quando surfa na onda do conservadorismo para conseguir uns minutos de repercussão nas redes sociais. Mas isso só mostra que apesar do espírito supostamente anárquico, o programa sempre contou com a velha hipocrisia da família brasileira para construir seu público. 

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