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Por que Bojack Horseman é uma série necessária?

Animação adulta da Netflix conseguiu ser divertida e perturbadora ao mesmo tempo

Foi ao ar no último dia 31 a segunda parte da última temporada de Bojack Horseman. Pra quem ainda não conhece, a animação conta a história de um cavalo famoso por um seriado nos anos 90, mas que tem que encarar no ostracismo nos dias de hoje. 

Misturando animais e pessoas em uma Hollywood (ou Hollywoo) fictícia, a série vai um palmo abaixo da superfície para mostrar o verdadeiro mundo das celebridades norte-americanas: um pouco de glamour misturado com muito problema psicológico para ser resolvido.

A escolha da animação para contar essa história foi bastante acertada e deu a um enredo pesado alguma leveza e espaço para absurdos que divertiram o telespectador. Tudo isso combinado a um texto brilhante faz da série ser uma das melhores produções originais da Netflix.

Aqui acaba a parte sem spoilers

Abordagens de temas polêmicos de modo ácido

Apesar do nome da série ser o nome do protagonista, não são todas as temporadas que são exclusivamente sobre ele. Na terceira temporada, por exemplo, a jornalista Diane Nguyen fica grávida do labrador Sr Peanut Butter e deseja fazer um aborto. A história rende momentos hilários quando o cão e pai fica o tempo todo ao lado da esposa. Até mesmo no momento em que o aborto ocorre ele vai à clínica com um balão onde pode se ler “It’s a borted” ao invés de “It’s a boy”.

A temporada também gerou o vídeo dos homens brancos de gravata borboleta discutindo sobre a escolhas das mulheres num programa de TV.

A recuperação sem moralismo

A última temporada começa com Bojack entrando para a reabilitação depois de anos entregue ao álcool e às drogas. Mas um grande trunfo da série é nunca tratar isso aliado com um discurso moralista e nem meritocrático. O “só depende de você” passa bem longe do processo de recuperação física, mental e moral do protagonista. 

Depois de sair do processo de recuperação e estar limpo, Horseman se vê encrencado com uma história do passado. Querendo limpar a sua barra, resolve dar uma entrevista aparentemente inofensiva para um programa de TV. Se posando de vítima, ele consegue ser, novamente, querido pelo país. Acontece que tudo vai por água abaixo quando se decide a falar mais uma vez e encarar perguntas mais difíceis. 

A impressão que passa é que Bojack não estava satisfeito com a primeira versão da conversa, dominada por estratégias do que ficou conhecido hoje como “media training”, por mais que na série isso não fique explícito. 

A falta do final catártico

Em uma indústria cinematográfica que precisa cada vez mais de finais catárticos ou que abram espaços para spin-offs ou franquias intermináveis, o final da história de Bojack é bastante coerente com e pegada niilista da série. 

Não espere um final arrebatador e de tirar o fôlego. O principal soco que ele vai te dar é a falta de soco. A forma como ele vai te respeitar é, justamente, não pegando na sua mão e dizendo como você deve se sentir com ele. Você já é bem grandinho ou grandinha pra isso. 

A última temporada é uma forma de acerto de contas de todos os principais personagens, não só com o protagonista, mas com a família, os amigos e a própria vida. Bojack se encontra com seus fantasmas, mortos e vivos, para tentar passar as coisas à limpo de uma forma honesta dessa vez. Se vai dar certo? Ninguém sabe e não vamos descobrir.   

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