Siga-nos

Digital

A proliferação dos serviços de streaming vai matar a TV por assinatura?

Segundo analistas, em 2020 o número de assinaturas de streaming será maior que as assinaturas de TV a cabo em mais de 30 países. É uma previsão que dá fôlego extra a nova realidade, onde consumir entretenimento está mais dinâmico. Plataformas como Netflix e Amazon Prime colocaram Sky, Oi & cia contra parede e deram um ultimato: vocês terão de se reinventar.

Fleabag: série da Amazon é sucesso de público e nas premiações deste ano (Divulgação: Amazon Prime)

A anatomia do fenômeno

Sobram razões que justificam a força do streaming: uma delas é a flexibilidade. Com uma única assinatura, você pode assistir a seus programas em diferentes dispositivos. Os horários não existem – cada um faz a própria programação. A TV paga mantém o modelo engessado: horários definidos, e cobrança extra para cada ponto adicional que o cliente quiser.

Outro ponto pró-streaming é a internet. Atualmente, é possível contratar velocidades de 120 MB, 200 MB, algo impossível de imaginar no tempo da internet discada. Com isso estamos conectados em todos os cômodos, em boa velocidade. Na rua, os celulares nos mantém online.

Segundo pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no ano passado, o Brasil tem 230 milhões de celulares em funcionamento. Hoje em dia eles são pequenos (e potentes) PCs que rodam vídeos, jogos, séries e filmes. Dados do IBGE apontam que a população do país é superior a 211 milhões, ou seja: o Brasil tem mais celulares do que pessoas.

NOW, a ‘Netflix da NET’, foi uma das respostas à ascensão do streaming (Divulgação: NET Claro)

Tentando não ficar para trás

De acordo com números divulgados pela Anatel, a TV paga teve queda no número de assinantes pelo quinto ano consecutivo. O ibope da TV fechada caiu em cerca de 10% no ano passado. O baque forçou as operadoras a buscarem novas ideias. Uma resposta foi criar plataformas próprias, como Oi Play, Sky Play e Net NOW. Estas oferecem séries, cinema, desenhos, mas esbarram na limitação. O acesso é restrito para assinantes, e ainda assim, não é para os assinantes de todos os pacotes.

A era dos animes na TV brasileira se foi, mas graças a Cruncyroll, os fãs não estão mais órfãos (Divulgação: Cruncyroll)

Menos burocracia, mais objetividade e opções

O streaming reduziu a burocracia: o serviço pode ser cancelado a qualquer momento, sem precisar pagar multas. É possível se tornar cliente comprando um cartão presente numa loja, dispensando ligar para centrais de atendimento. Ele também criou opções: o fã de animes, marginalizados na TV brasileira, tem a Crunchyroll. Quem é fã da Disney, Marvel e Star Wars aguarda a chegada da Disney+ no Brasil.

Friends é uma das séries clássicas que já passou pelo catálogo da Netflix (Reprodução: Variety)

Novas questões

Como toda nova ideia, o streaming gerou novas questões.

Os catálogos nem sempre são tão diversos, ou mudam com o tempo. As interfaces nem sempre são intuitivas. Os players, não poucas vezes, são mal otimizados – um dilema familiar para usuários do Looke. O formato digital levantou outra questão importante: se você compra um conteúdo, e ele é removido, o que acontece? A preocupação é maior principalmente para os colecionadores de mídia física.

Uma terceira questão é a fragmentação. Você não paga por duas assinaturas de TV a cabo, então pagaria por mais de uma assinatura de streaming? Pelo menos nos EUA isso já é uma realidade, pois os americanos pagam por três ou mais serviços do tipo. É um potencial cenário que pode se estender para o restante do mundo nos próximos anos.

O streaming será o carrasco da TV a cabo? É a pergunta que não quer calar (Reprodução: CNN)

O quanto a TV a cabo vai morrer?

No Brasil, a Lei da TV Paga diz que apenas as operadoras podem comercializar canais, impedindo de vermos a programação do cabo no streaming sem restrições. Isso mantém as operadoras vivas, mesmo que seja ‘no grito’. O que era para garantir um mercado equilibrado, entretanto, abriu uma brecha. Se o consumidor pode escolher o que assistir, Netflix e afins ficam de fora das limitações impostas pela lei.

Muitas residências têm smartv, mas não quer dizer que todas elas tenham. Muitas estão conectadas a internet, mas não quer dizer que todas estejam. E as famílias conectadas, vão se acostumar a consumir conteúdo online? Por outro lado, pode ser que um dia elas migrem de vez para o assista-quando-quiser, e cancelem suas assinaturas de TV a cabo.

A concorrência do streaming é real, e cada vez mais obriga as operadoras de TV paga a achar formas de não sumir no radar. É uma situação bem diferente para quem passou décadas dominando o mercado, sem preocupações das proporções atuais. A nós, resta aguardar os próximos capítulos dessa novela que estamos assistindo de camarote.

Via UOL, UOL, The Wrap, SlashGear, IBGE, FGV e Minha Operadora

Assine nossa newsletter

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas

Publicidade
Trending Now
Publicidade

Relacionados

Street Food América Latina ‘dá gatilho’ e escancara a nossa saudade da rua

Séries

“O crush perfeito” – Solteiros e solteiras só pensam naquilo: signo

Entretenimento

Primeira produção com temática LGBT+ brasileira na Amazon, Rio #SemLimites é pedante e desinteressante

Entretenimento

Nova função do Spotify permite ouvir música em grupo, mesmo a distância

Entretenimento

Publicidade
Assine nossa newsletter

Copyright © 2020 | Todos os direitos reservados.

Connect
Assine nossa newsletter