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Cinema

Novas narrativas, velhos protagonistas: por que os anti-heróis são sempre homens héteros e brancos?

Tony Soprano, Walter White e Coringa numa luta pelo resgate da masculinidade

Divulgação

Era uma vez e felizes para sempre são expressões comuns nas histórias de contos de fadas. Claro, quando criança a nossa imaginação está acostumada a pensar em alguém bom, outro mau em que torcemos pela vitória do primeiro. Essa lógica por muito tempo também esteve nos filmes séries e novelas para adultos. O tempo passou, as narrativas mudaram e hoje muitos de nós ficamos até mesmo incomodados com um enredo tão simples. 

Séries como Sopranos, Breaking Bad e filmes como Coringa nos apresentam personagens com muitas camadas. O mafioso com problemas com a mãe, o professor que vira traficante em busca de uma vida mais emocionante, o psicopata fabricado pela sociedade. Personagens que seriam os vilões acabam ganhando elementos que geram empatia no público. Tudo muito bem até aqui, mas diversas pessoas estão apontando um problema nesse novo formato de contar histórias em que quem tem direito a isso são os mesmos de sempre: o homem branco e hétero. 

O criador de conteúdo e youtuber Thiago Guimarães destaca esse ponto afirmando que a imagem dessa parcela privilegiada da sociedade, por mais que não seja mais mostrada como um super-herói ou provedor, ainda é considerada a imagem da pessoa que não é julgada pela sua cor, sexo ou orientação sexual.

“Quando a gente vê quem é o ser humano, quem representa o ser humano, essa ideia está sempre vinculada com o homem branco porque é ele quem dita essa narrativa, isso a gente vê estudado em muitos campos como a sociologia. A pessoa branca é considerada humana, um sujeito. Mesmo com todas essa revoluções narrativas, a gente ainda vê muito isso”, apontou.

Para comprovar seu ponto, Guimarães faz um exercício em pensar o personagem de Walter White como um homem negro, que deixa o seu emprego como professor pra virar o principal traficante da cidade e reforça que antes de ir ao ar, filmes e séries são vistas por uma parte da audiência. 

“Imagina se o breaking Bad tivesse sido estrelado por um homem negro? Provavelmente a série não teria tido o sucesso que teve. Um palpite meu é que o personagem teria tido uma rejeição maior do público. Existe intencionalidade do autor nesse processo, mas isso também acontece como que as coisas são estruturadas como são. Vários desses filmes são exibidos para audiências teste antes da estreia. Por exemplo, nos EUA o público não reage bem a casais inter raciais, por isso que é raro ver um casal de um homem negro com uma mulher branca. Vai além da intencionalidade. Precisa de esforços grandes pra começar a mudar essas histórias”, acredita. 

Papel da mulher como castradora

Duas das séries mais famosas que contam com anti-heróis bastante famosos são Sopranos e Breaking Bad. A primeira foi ao ar entre 1999 e 2007 e foi uma espécie de pioneira nesse formato. Ambas as séries têm elementos em comum e um deles é o papel da mulher na vida dos protagonistas. 

Reprodução

A pedra fundamental de Sopranos, por exemplo, é a relação de Tony com a sua mãe Livia, o que faz ele procurar ajuda psiquiátrica. Sua esposa Carmela é até fisicamente parecida com Skyler, a esposa em Breaking Bad, por mais que tenha características comportamentais bastante distintas. Até mesmo a psiquiatra que o mafioso procura é uma mulher, a Dra. Melfi, o que gera questões na série. 

Ao contrário de Soprano, Walter só se envolve no crime no final de sua vida, e isso também afeta a construção das personagens mulheres nas séries. Guimarães explica que no caso da segunda, ela é uma espécie de castradora da masculinidade do marido e que esse papel de mãe aparece também em diversas obras.    

“A Skyler é um exemplo emblemático na construção do anti herói, que foi na época que estava bombando. Quando a gente vê essa figura feminina nessas histórias ela está quase sempre no espaço da castradoras, ela tira ele do lugar de macho provedor. No primeiro episódio de Breaking Bad o Walt é aquela figura masculina castrada, infantilizado o tempo todo, o trabalho dele é uma merda e depois ele consegue ter alguma emoção nesse estereótipo de masculinidade. O Vince Gilligan tinha muito medo de que o Walt fosse muito rejeitado por isso, então ele precisou colocar alguns elementos de vitimização, pra entender que aquelas escolhas dele foi a vingança do homem branco. Mesmo nessas narrativas mais complexas você precisa criar outros bodes expiatórios que é a mulher, o feminismo, a sociedade, as estruturas etc. Isso não é necessariamente ruim, é bom a gente analisar quem estamos colocando como os vilões porque isso diz muito sobre a gente”, explicou. 

Crise de masculinidade

Reprodução

O papel do homem nessas obras pode estar afetando também a construção da masculinidade na sociedade. O que antes era o Super-Homem que parava o planeta com as mãos para salvar a todos agora ganha uma camada a mais. Por isso obras como Coringa fazem relativo sucesso em espaços como os fóruns incels, homens em sua maioria brancos e jovens que destilam seu ódio contra mulheres, gays e trans. 

Não à toa a figura desses anti-heróis são frequentemente usadas em imagens que querem passar valores como honra e uma suposta complexidade de personalidade. 

O youtuber acredita que muito dessa percepção passa mesmo por uma crise de representatividade dessa parcela da sociedade, que sempre teve respostas muito evidentes de qual seria seu papel na sociedade e hoje não sabem mais, já que grupos minoritários que nunca tiveram voz passaram a ocupar mais espaços na sociedade.    

“Tem um nicho que está sendo muito bem servido pelo Peaky Blinders e que se sentiu muito bem representado pelo Coringa. Eu lembro de fazer uns deboches com o filma na época do lançamento e minhas replies se tornaram o esgoto, pessoas dispostas a ir a luta pra defender esse filmes. Todo mundo se sente privado de alguma coisa e no geral, de fato, todos somos. Esses filmes miram esse nicho que está claramente com uma crise de representação, no sentido de não ter mais aquele modelo clássico de masculinidade. São pessoas que ouviram algumas respostas muito certas e quando chegaram nas idade adulta essas respostas não mais existem. E eles encontram a resposta nessas obras: está acontecendo isso por causa do feminismo, de pessoas trans que estão ocupando mais espaços. Cria esse antagonismo que não deveria existir”, encerra.   

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1 Comment

1 Comment

  1. Gabriela Santana

    07/08/2020 at 15:31

    Que grande merda de matéria. hahahahaha Vocês escreveram essas asneiras baseados em QUÊ? Em nada.

    Vão se foder, seus lacradores de merda. Tudo pra vocês é culpa do “hOmEm BrAnCo E héTeRo”.
    Vocês são um bando de retardados, isso sim. hahahahahaha

    E antes que eu me esqueça: PAU NO RABO DA SKYLER, FODA-SE ELA!

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