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Cinema

Os 10 momentos do Oscar 2020

O ULTRA POP aproveita a rebarba do Oscar 2020 para destacar quais foram os maiores momentos da edição

Um pedaço do discurso de Bong Joon-Ho ao ser escolhido Melhor Diretor (Foto: Reprodução/Academia)

Entra ano, sai ano, as grandes premiações do mundo continuam populares. É evidente que as pessoas assistem por motivos diferentes. Algumas estão ali para ver os famosos, outros para torcer por seus filmes e atores preferidos, enquanto outras tantas pessoas gostam dos momentos e histórias que seguem dali organicamente. E tem, óbvio, a tiração de sarro com gente aparentemente intocável.

É por isso que o Ultra POP faz uma lista com os grandes momentos do Oscar 2020.

Pitt abre com provocação política

Logo de cara, a Academia apresentou a categoria Melhor Ator Coadjuvante e, como era esperado desde o ano passado, Brad Pitt ensacou a primeira estatueta de atuação dele no Oscar. Em 45 segundos, Pitt rasgou elogios a Quentin Tarantino, o “único do seu tipo”, brincou com Leonardo DiCaprio, agradeceu aos filhos. Mas tudo isso após fazer uma crítica ao julgamento do senado americano ao processo de impeachment de Donald Trump dias antes. “Disseram que eu tinha 45 segundos para estar aqui (no palco), o que é 45 segundos a mais do que deram ao John Bolton essa semana”, falou. Bolton, claro, é o ex-conselheiro de segurança nacional do governo Trump que se disponibilizou a testemunhar na investigação do senado, de maioria republicana – partido do presidente -, que negou.

Bong Joon-Ho encarando a estatueta

A Coreia do Sul jamais vencera um Oscar. Como Bong afirmou no início do ano, a premiação é mesmo bastante local, mas mesmo assim é a validação mais glamourosa do cinema. É a prova de que o mundo te viu. Quando levou a primeira estatueta dele numa noite que seria recheada delas – naquele momento junto de Han Jin Won -, a de Melhor Roteiro Original, o cineasta fitava o Oscar em suas mãos. O item mais desejado do cinema mundial tinha, enfim, encontrado um novo amor.

As sacaneadas em John Travolta e David Letterman

Foram piadas fáceis, que estavam na mão e não foram perdidas. Ainda bem. Inicialmente, o comediante Josh Gad subiu para apresentar a performance da música indicada a Melhor Canção Original ‘Into the Unknown’, de ‘Frozen 2’, e interpretada por Idina Menzel. Fez questão de afirmar: Idina Menzel, “que se lê exatamente como escrito”. Para quem não entendeu, fica a lembrança. Idina Menzel foi chamada ao palco no Oscar de 2014 para apresentar a música vencedora do prêmio daquele ano ‘Let it Go’, do primeiro ‘Frozen’. Mas John Travolta apresentou ADELE DAZIM. Exatamente como você vai ver no vídeo abaixo. É óbvio que o momento ficou famoso.

Mas não foi só. Diane Keaton e Keanu Reeves foram ao palco pouco depois apresentar os prêmios de roteiro. A dupla teve seus momentos de flerte para lembrar da bem-sucedida romântica ‘Alguém tem que Ceder”, de 2005, mas o momento destacado aqui é quando Keaton ‘apresenta’ Reeves ao público: “Vocês conhecem Keanu?”. Bom, é uma lembrança de uma das piadas mais infames das apresentações do Oscar. 25 anos atrás, em 1995, David Letterman foi convidado a apresentar a cerimônia e abriu brincando com os nomes de Oprah Winfrey, Uma Thurman e Keanu Reeves, mas sem ter qualquer ideia de onde estavam os personagens da graceta. Um desastre divertido que ficou para a história do prêmio. No vídeo abaixo a partir dos 55s.

A previsão de Matthew A. Cherry

A categoria Melhor Animação em Curta Metragem consagrou o lindo filme ‘Hair Love’ e sua história sobre crescimento e aceitação. É uma delícia de curta (o vídeo está abaixo) e garante também a multiplicação de uma previsão. Responsável pelo roteiro do filme e um dos diretores, Matthew A. Cherry foi jogador de futebol americano profissional entre 2004 e 2006 e assumiu o cinema como a segunda carreira depois disso. Em 2012, Cherry tuitou que um dia seria indicado a um Oscar. O dia chegou, bem como o da vitória.

O dia de Laura Dern marcou a família

Laura Dern foi a uma cerimônia do Oscar pela primeira vez aos 8 anos de idade, mas foi apenas 45 anos depois disso que conseguiu conquistar a primeira estatueta própria. A atriz venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pela atuação em ‘História de um Casamento’ e subiu ao palco para agradecer num dia que demorou a chegar. “Dizem que é melhor você não conhecer seus heróis, mas se você for realmente abençoada eles serão os seus pais. Eu divido isso com os meus heróis da atuação, minhas lendas, Diane Ladd e Bruce Dern”, disse a atriz, em meio à voz embargada, enquanto a transmissão pegava Ladd, na plateia, com o rosto misturado em orgulho e lágrimas.

Diane Ladd, claro, é uma atriz três vezes indicada ao Oscar (‘Alice Não Mora Mais Aqui’, ‘Coração Selvagem’ e ‘As Noites de Rose’), enquanto Bruce Dern tem duas indicações (‘Amargo Regresso’ e ‘Nebraska’). Antes da vitória de ontem, Laura havia sido indicada outras duas vezes: uma junto da mãe, em ‘As Noites de Rose’, e a outra por ‘Selvagem’.

Zack Gottsagen faz história

O protagonista do filme ‘The Peanut Butter Falcon’, Zack Gottsagen, subiu ao palco junto de seu coestrela Shia LaBeouf e se tornou o primeiro apresentador com síndrome de Down em toda a história dos prêmios da Academia. Um momento importante, representativo e que deixa marca. A dupla entregou a estatueta de Melhor Curta ao filme ‘The Neighbors’ Window’.

A glória de Julia Reichert

Numa categoria Melhor Documentário lotada de boas opções em 2020, a vitória ficou para Julia Reichert e Steven Bognar pelo filme ‘Indústria Americana’, que retrata o dia a dia dos trabalhadores em uma fábrica de vidros automotivos proveniente da China e instalada em Dayton, Ohio, nos Estados Unidos. O documentário foi produzido pela Higher Ground, de Barack e Michelle Obama.

Os diretores – casados e parceiros de outros filmes – subiram ao palco com o cabelo raspado porque Reichert trata um câncer na bexiga. A doença é terminal, inclusive. Os dois já trataram do câncer na tela com o documentário ‘Lion in the House’, de 2006, que rendeu um Emmy à dupla. A diretora tinha três indicações anteriores ao Oscar pelos filmes ‘Union Maids’ (1978), ‘Seeing Red’ (1984) e ‘The Last Truck: Closing of a GM Plant’ (2010).

“Nosso filme faz perguntas sobre o destino dos trabalhadores em Ohio, na China e em todo o mundo. O tipo de pessoa que bate o ponto, veste um uniforme e trabalha com raiva. É assim que queremos que o mundo seja? Não, não é. E poderíamos fazer algo sobre isso”, afirmou ao aceitar o prêmio. YOU GO, JULIA!

Bong Joon-Ho faz Scorsese levantar

Após o prêmio por roteiro, o diretor coreano retornou ao palco para receber a estatueta de Melhor Filme Internacional. A impressão de que seria a última caiu por terra quando Bong foi anunciado como o Melhor Diretor. O cineasta lembrou uma velha frase sobre filmes que ouviu anos atrás: “O mais pessoal é o mais criativo”. Na sequência, lembrou que a frase é de autoria de Martin Scorsese, que foi ovacionado pela plateia e até precisou se levantar rapidamente. Momento muito bonito de homenagem a um mestre. Em seguida, Bong completou: “agora vou beber até de manhã”. Mal sabia ele que faltava um prêmio.

Joaquin Phoenix faz rara menção ao irmão

O protagonista de ‘Coringa’ é um conhecido ativista das causas animais e abriu o agradecimento à vitória com mais uma bela declaração em favor de sua defesa sobre como todas as causas de ativismo social são análogas. Depois, agradeceu à indústria por tê-lo ajudado e mantido por perto mesmo depois de ser uma personalidade bastante complicada durante os primeiros anos de carreira – outra faceta bem conhecida.

Para os segundos finais, entretanto, o rosto de Joaquin mudou. Um nervosismo evidente nos olhos foi seguido a uma rara menção dele ao irmão mais velho, River Phoenix, uma das grandes promessas de Hollywood no fim dos anos 1980 e começo dos 1990. Phoenix era quatro anos mais velho que o irmão e morreu aos 23 anos, em 1993, na calçada da boate The Viper Room, de Johnny Depp, seu amigo próximo. A causa da morte foi overdose. Joaquin estava na cena e chegou a chamar a ambulância para resgatar River, mas não adiantou.

River chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1988 pelo filme ‘O Peso de um Passado’. Em 2001, quando Joaquin foi indicado pela primeira vez, por ‘Gladiador’, os Phoenix entraram para a história como a primeira dupla de irmãos indicados a Oscar de atuação. Demorou 32 anos, mas os Irmãos Phoenix agora têm uma estatueta.

‘Parasita’ muda a história do Oscar

92 anos depois, um filme em língua não-inglesa levou o Oscar de Melhor Filme. Um esforço cinematográfico e artístico corajoso, com uma visão ímpar e inédita sobre discriminação de classe na Coreia do Sul dos dias atuais, ‘Parasita’ reescreve a corrida do Oscar. Plateia de pé, equipe maravilhada, o espírito do motivo pelo qual a gente assiste às premiações. Após o tempo terminar para agradecer, a transmissão fechou o microfone. Foi aí que o público começou a gritar ‘UP!’ no pedido em que dessem mais tempo para os responsáveis por ‘Parasita’ – Tom Hanks e Charlize Theron estavam particularmente animados. E a TV devolveu a palavra aos vencedores da noite.

Menção de honra

Enquanto a Academia enfrentou críticas por ter cortado Luke Perry e Cameron Boyce da seção In Memorian, a transmissão brasileira da TNT foi de extrema classe e exibiu uma homenagem a Rubens Ewald Filho, morto em 2019, aos 74 anos, a quem chamou de “profissional, amigo e mestre”. Parabéns aos responsáveis! Infelizmente não temos o vídeo, mas fica o reconhecimento.

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